sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Lendas -História das Sete Caldeiras da Ilha das Flores



  Havia um homem da ilha das Flores que tinha um filho de nome João. O rapaz era muito sonhador, simples e bom, como tinha fama de ser toda a gente das Flores.    Um certo dia o João ia pelo caminho fora, carregado com bilhas de água.
   Tinha-a ido buscar longe para ser usada em casa. Ia sozinho e a sonhar, um pé na terra e o outro na lua, como é natural em todos os rapazes e crianças da sua idade. Encontrou, a certa altura, uma poça de água no caminho e disse em voz alta, para si mesmo:
     - Dizem que noutros lugares há lagoas e caldeiras muito lindas. Aqui na minha ilha não há. Vou mas é fazê-las!
    Pegou numa das bilhas de barro que trazia cheias de água e despejou-a no chão. Com a facilidade com que tinha sonhado em fazer as lagoas, logo se formou a primeira caldeira.
   O rapaz deu pulos de alegria e pensou: "Sempre que encontrar poças de água, vou fazer o mesmo!" 
   Ali à esquerda estava outra poça mais funda e o rapaz, com confiança, vazou outra bilha de água. Formou-se outra vez uma lagoa, muito, muito funda.
   Teve que ir de novo encher as bilhas. Levado pelo sonho, foi andando, andando, pela ilha, tendo encontrado ao todo sete poças de água, onde foi deitando água.
    Assim se foram formando as Caldeira Funda das Lajes, onde poderia flutuar um grande paquete. Há outras mais baixas, como a Caldeira Rasa, cujas margens são muito lodosas e perigosas. As restantes lagoas que o rapaz foi formando ao encontrar as poças de água são a Caldeira Branca, a Seca, a Comprida, a Funda e a Lomba. Tornaram-se todas muito diferentes, mas muito bonitas, de águas limpas e transparentes, como foi desejo do rapaz que as sonhou e as fez.
   

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ilha de S.Miguel freguesia de Rabo do Peixe


Rabo de Peixe pertence ao concelho da Ribeira Grande, com 16,98 km² de área e 8 866 habitantes (2011).
   Com uma área geográfica de 16,98 km², onde se inclui o lugar de Santana a Vila de Rabo de Peixe confronta com o Oceano Atlântico, a Norte, com as freguesias das Calhetas e Pico da Pedra, a Este, com a Ribeira Seca e Santa Bárbara, a Oeste, e com o Livramento(Ponta Delgada) e Cabouco (Lagoa), a Sul.
   Vive essencialmente da pesca e da agricultura, havendo indústrias de construção civil e de transformação de peixe como principais empregadores.
   Não se sabendo ao certo a data ou como teria sido povoada esta localidade, aponta-se que por volta do século XV Rabo de Peixe, conjuntamente com a Ribeira Grande, constituía freguesia.
   Esta localidade é assim chamada devido à semelhança que uma das suas pontas de terra tem com uma cauda de peixe, ou como diz Gaspar Frutuoso (cronista açoriano, século XVI), por em tempos ali ter sido encontrado o rabo de um grande peixe desconhecido.
   Saliente-se ainda que o lugar de Santana, extensa planície, foi transformado em campo de aviação militar durante a segunda guerra mundial (1939/45), passando, em 1946, para aaeronáutica civil com a instalação do primeiro aeroporto da ilha.
   Rabo de Peixe é uma vila com fortes raízes na tradição da Ilha de São Miguel, possui uma cultura assente nas suas Festas Tradicionais, no seu Folclore, na sua Música e no seu vasto Património Arquitectónico.
   As Festas Religiosas são extremamente valorizadas pela população local, e representativas da cultura desta vila, atraindo inúmeros visitantes não residentes na localidade. Estas iniciam-se logo no primeiro dia do ano, com a Festa do Senhor Bom Jesus, seu Santo Padroeiro. Tal como em toda a ilha de S.Miguel, existe uma devoção especial pelo Divino Espírito Santo, sendo famosos os cortejos e carros alegóricos referentes a estas Festas. A Festa da Bandeiras é uma das mais expressivas manifestações destas comemorações. Esta celebração engloba duas formas, a Bandeira da Beneficência, ou as "Festas da Beneficência" e a Bandeira da Santíssima Trindade, designada pelo povo "Festas da Caridade". Acompanhando estas duas Bandeiras, ocorrem as famosas "Despensas" e "Bailinhos", duas danças oriundas de Rabo de Peixe.
   Ao longo de todo ano vão se realizando outras procissões, como a procissão de São Sebastião, realizada no penúltimo Domingo do mês de Janeiro, a do Senhor dos Passos (via sacra pública), realizada no terceiro Domingo anterior ao Domingo de Páscoa, a dos Ramos, realizada no Domingo anterior ao Domingo de Páscoa, a do Senhor Morto, realizada na Sexta-Feira Santa à noite, a do Senhor Ressuscitado, realizada no Domingo de Páscoa, a dos Enfermos, realizada no primeiro Domingo após a Páscoa e por fim a procissão de São Pedro Gonçalves, realizada no sexto Domingo a posterior ao Domingo de Páscoa.
   Rabo de Peixe possui também duas filarmónicas:A Sociedade Filarmónica Lira do Norte, fundada em 1867, cuja padroeira é Santa Cecília, e a Filarmónica Progresso do Norte, fundada em 1888 e tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição Todos os anos, participam nas procissões realizadas em Rabo de Peixe, mas também participam em várias procissões da ilha e até no estrangeiro.

sábado, 10 de novembro de 2012

Lenda do São Martinho.

   Segundo consta Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar da Itália para a sua terra, algures em França.
   Montado no seu cavalo estava a passar num caminho para atravessar uma serra muito alta, chamada Alpes, e, lá no alto, fazia muito, muito frio, vento e mau tempo.
    Martinho estava agasalhado normalmente para a época: tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam. 
   De repente, aparece-lhe um homem muito pobre, vestido de roupas já velhas e rotas, cheio de frio que lhe pediu esmola.
    Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.
   Nesse momento, de repente, as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão! 
   Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido bom. 
   É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo fica melhor e mais quente: é o Verão de São Martinho. 
   
   
   

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ilha Das Flores - História da Vila de Santa Cruz.

A vila de Santa cruz, a sede do concelho de Santa Cruz das Flores, e é composta pelos lugares de Vila, Fazenda de Santa Cruz (ou Fazenda d’Além), Monte, Vales e Ribeira dos Barqueiros. O principal centro urbano é o lugar da vila, hoje anichado entre a pista do Aeroporto das Flores, que cruza de costa a costa a fajã onde o povoado se situa, e o litoral leste da ilha. Nos seus dois extremos têm dois pequenos portos, o Porto das Poças, a sul, ainda usado para a pesca e para as ligações marítimas à ilha do Corvo, e o Porto do Boqueirão, a norte, uma antiga estação da baleação , cuja rampa é hoje, em conjunto com a antiga Fábrica da Baleia do Boqueirão, parte do Museu das Flores. Existe ainda o pequeno porto de São Pedro, hoje anichado sob o extremo norte da pista do aeroporto.
   Sendo a principal povoação das Flores e sede da maioria dos serviços administrativos e económicos localizados na ilha, a vila de Santa cruz é hoje um moderno centro de serviços, com a maioria da sua população empregue no sector terciário da economia. Ainda assim, graças à riqueza das pastagens da sua zona interior, a agro-pecuária, com destaque para a bovinicultura leiteira, ocupa um lugar ainda relevante na produção de riqueza e na ocupação de mão-de-obra. Para além daquelas atividades merece referência a hotelaria, a prestação de serviços diversos, as pescas, as oficinas de reparação automóvel, a construção civil, o comércio, a indústria de lacticínios e a restauração.
   Com a industrialização da produção de manteiga, que se exportava enlatada com destino a Lisboa, a produção de lacticínios teve um grande surto de desenvolvimento, provocando atritos entre os industriais do sector e entre estes e os produtores de leite, dos quais resultou a fundação de múltiplas pequenas cooperativas, designadas por sindicatos agrícolas. O desenvolvimento dos Sindicatos Agrícolas Florentinos , liderado pelo padre florentino José Furtado Mota, foi um dos mais interessantes movimentos sociais açorianos do século XX , desencadeando um conjunto de conflitos que ficou conhecido como a guerra da manteiga. O grande desenvolvimento dos lacticínios fez decrescer a produção de cereais, pois as pastagens passaram a render mais que as terras de semeadura.
   Dada a sua centralidade e o impacte que durante a fase crítica da emigração açoriana a Base Francesa das Flores teve, a vila de Santa Cruz foi o único povoado florentino que não sentiu o impacto do fenómeno migratório de meados do século XX. Nas outras povoações da ilha, o número de habitantes reduziu-se para metade, ou menos, enquanto que na vila se manteve. Tinha 2 100 habitantes em 1940 e tem cerca de dois mil atualmente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ilha Terceira - Lenda da Lagoa do Negro.



A Lenda da Lagoa do Negro é uma tradição da ilha Terceira.Refere-se à  origem do nome da Lagoa do Negro, junto à Gruta do Natal.
   Segundo a lenda, há alguns séculos existia uma família nobre na Terceira que tinha, como era costume na época, escravos negros. A filha do morgado, habituada a receber as ordens do pai que eram compridas de forma inquestionável por todos, aceitou com naturalidade um casamento imposto por conveniência para a união de terras e aumento do poder.
   Era um casamento sem amor mas, por boa educação e honestidade, ela submetia-se ao marido. No entanto, a morgada tinha um amor proibido socialmente inaceitável por um escravo negro, que lhe retribuía o sentimento.
   Um dia o escravo negro falou com a sua amada e, juntos, chegaram à conclusão que o seu amor era impossível no mundo em que viviam. Só poderiam viver juntos se fugissem. No entanto, o marido da morgada tinha ordenado a uma das aias da esposa que a seguisse por todo o lado. Tendo ouvido a conversa entre a morgada e o escravo, esta informou o amo, que ordenou aos seus capatazes que prendessem o escravo.
   Ao ouvir o ladrar dos cães de caça ao longe, e sabendo que não era dia de caçada, o escravo desconfiou que andavam à sua procura e pôs-se em fuga pelos campos, em direção ao interior da ilha. Após um dia e uma noite em fuga, caminhando por montes, vales e difíceis veredas, o fugitivo cansado e sentindo os cavalos já próximos, não tinha mais forças para correr ou sequer andar. Sem ter onde se esconder, resolveu parar e por ali ficar, abandonando-se à sua sorte.
   Começou a chorar, e as suas lágrimas rapidamente se multiplicaram e fizeram nascer uma linda lagoa à sua frente, aninhada ao lado de uma colina arborizada. Quando se apercebeu da lagoa, os cavalos já estavam quase sobre ele. Não tendo mais para onde fugir, atirou-se da colina para as águas escuras e serenas da bela lagoa, onde se afogou.