quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ilha Das Flores - História da Vila de Santa Cruz.

A vila de Santa cruz, a sede do concelho de Santa Cruz das Flores, e é composta pelos lugares de Vila, Fazenda de Santa Cruz (ou Fazenda d’Além), Monte, Vales e Ribeira dos Barqueiros. O principal centro urbano é o lugar da vila, hoje anichado entre a pista do Aeroporto das Flores, que cruza de costa a costa a fajã onde o povoado se situa, e o litoral leste da ilha. Nos seus dois extremos têm dois pequenos portos, o Porto das Poças, a sul, ainda usado para a pesca e para as ligações marítimas à ilha do Corvo, e o Porto do Boqueirão, a norte, uma antiga estação da baleação , cuja rampa é hoje, em conjunto com a antiga Fábrica da Baleia do Boqueirão, parte do Museu das Flores. Existe ainda o pequeno porto de São Pedro, hoje anichado sob o extremo norte da pista do aeroporto.
   Sendo a principal povoação das Flores e sede da maioria dos serviços administrativos e económicos localizados na ilha, a vila de Santa cruz é hoje um moderno centro de serviços, com a maioria da sua população empregue no sector terciário da economia. Ainda assim, graças à riqueza das pastagens da sua zona interior, a agro-pecuária, com destaque para a bovinicultura leiteira, ocupa um lugar ainda relevante na produção de riqueza e na ocupação de mão-de-obra. Para além daquelas atividades merece referência a hotelaria, a prestação de serviços diversos, as pescas, as oficinas de reparação automóvel, a construção civil, o comércio, a indústria de lacticínios e a restauração.
   Com a industrialização da produção de manteiga, que se exportava enlatada com destino a Lisboa, a produção de lacticínios teve um grande surto de desenvolvimento, provocando atritos entre os industriais do sector e entre estes e os produtores de leite, dos quais resultou a fundação de múltiplas pequenas cooperativas, designadas por sindicatos agrícolas. O desenvolvimento dos Sindicatos Agrícolas Florentinos , liderado pelo padre florentino José Furtado Mota, foi um dos mais interessantes movimentos sociais açorianos do século XX , desencadeando um conjunto de conflitos que ficou conhecido como a guerra da manteiga. O grande desenvolvimento dos lacticínios fez decrescer a produção de cereais, pois as pastagens passaram a render mais que as terras de semeadura.
   Dada a sua centralidade e o impacte que durante a fase crítica da emigração açoriana a Base Francesa das Flores teve, a vila de Santa Cruz foi o único povoado florentino que não sentiu o impacto do fenómeno migratório de meados do século XX. Nas outras povoações da ilha, o número de habitantes reduziu-se para metade, ou menos, enquanto que na vila se manteve. Tinha 2 100 habitantes em 1940 e tem cerca de dois mil atualmente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ilha Terceira - Lenda da Lagoa do Negro.



A Lenda da Lagoa do Negro é uma tradição da ilha Terceira.Refere-se à  origem do nome da Lagoa do Negro, junto à Gruta do Natal.
   Segundo a lenda, há alguns séculos existia uma família nobre na Terceira que tinha, como era costume na época, escravos negros. A filha do morgado, habituada a receber as ordens do pai que eram compridas de forma inquestionável por todos, aceitou com naturalidade um casamento imposto por conveniência para a união de terras e aumento do poder.
   Era um casamento sem amor mas, por boa educação e honestidade, ela submetia-se ao marido. No entanto, a morgada tinha um amor proibido socialmente inaceitável por um escravo negro, que lhe retribuía o sentimento.
   Um dia o escravo negro falou com a sua amada e, juntos, chegaram à conclusão que o seu amor era impossível no mundo em que viviam. Só poderiam viver juntos se fugissem. No entanto, o marido da morgada tinha ordenado a uma das aias da esposa que a seguisse por todo o lado. Tendo ouvido a conversa entre a morgada e o escravo, esta informou o amo, que ordenou aos seus capatazes que prendessem o escravo.
   Ao ouvir o ladrar dos cães de caça ao longe, e sabendo que não era dia de caçada, o escravo desconfiou que andavam à sua procura e pôs-se em fuga pelos campos, em direção ao interior da ilha. Após um dia e uma noite em fuga, caminhando por montes, vales e difíceis veredas, o fugitivo cansado e sentindo os cavalos já próximos, não tinha mais forças para correr ou sequer andar. Sem ter onde se esconder, resolveu parar e por ali ficar, abandonando-se à sua sorte.
   Começou a chorar, e as suas lágrimas rapidamente se multiplicaram e fizeram nascer uma linda lagoa à sua frente, aninhada ao lado de uma colina arborizada. Quando se apercebeu da lagoa, os cavalos já estavam quase sobre ele. Não tendo mais para onde fugir, atirou-se da colina para as águas escuras e serenas da bela lagoa, onde se afogou.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A tradição do "Pão por Deus"

“Pão-por-Deus, por alma dos seus”. Neste dia 1 de Novembro, era este o pregão nas ruas da gente pobre que sempre fomos. Não é uma tradição açoriana, já que terá sido trazida pelos primeiros habitantes e reconhecem-se as suas origens em vários pontos do Continente. O que se sabe é que o “Pão-por-Deus” ganhou contornos especiais nas ilhas, fruto do isolamento, das fomes e dos cataclismos e daqui partiu para outras paragens há quase 300 anos, como acontece em Santa Catarina na Brasil.
   Começou por ser um peditório pelas almas, para se tornar mais tarde, um dia de partilha, do pouco que havia e de que tudo se dava. Dar um pão pelas almas, nesta altura do ano, era como que fazer o regresso de memórias e dores, despejadas do alto das torres que não se cansavam de repetir os “sinais” a lembrar que “as misérias deste mundo um dia passam”.
   O culto dos mortos era peça fundamental no mundo dos vivos. A tradição não é estática e por isso mesmo, desde o tempo do “pão” dado anonimamente e deixado no parapeito da janela, para ser recolhido pela primeira pessoa que passasse, desde o cálice de aguardente ou do copo de vinho pelas almas, até às saquinhas de retalhos de fazenda, com castanhas e rebuçados à mistura, vai uma grande distância.
   “Pão-por-Deus” andava na boca das pessoas e congregava não só as crianças, mas gente graúda que não resistia ao sabor de um prato de milho cozido ou a um punhado de castanhas cozidas.
   Aliás, no “ Pão-por-Deus”, todos os que podiam tinham nas suas casas uma boa panela de milho cozido, de preferência branco misturado com amarelo, e as castanhas eram indispensáveis, compradas à quarta (medida de que hoje poucos se lembrarão) e cozidas para dar e comer. Rebuçados e guloseimas, tudo isto surgiu mais tarde para gáudio do rapazio e das meninas que neste dia lá iam tirando o desconsolo de todo o ano, mesmo com os rebuçados feitos em casa, com calda de açúcar e um pouco de vinagre.
   Da tradição fica a recordação das saquinhas de chita, ou de quadradinhos de fazenda que as crianças levavam e que gostavam de trazer cheias de doces ou outras guloseimas. Mais que tudo, ficava o agradecimento e para quem abria a porta, a sensação de “já termos estado no outro lado da barricada”. E recorda-se sempre a forma como se dizia:
   Abre a porta ao Pão-por-Deus
Dá-me qualquer esmola
Seja por alma dos seus
O que puser na sacola…

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ilha de S.Jorge - Vila das Velas



A vila das Velas É sede de um município com 119,08 km² de área e 5 398 habitantes (2011), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no Oceano Atlântico em todas as outras direcções.
   Está  localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada e tem cerca de 1985 habitantes.
   A A origem do seu nome nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade.
   É um dos povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D.Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município das Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D.Manuel I de Portugal. Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração.
   O Jardim da Praça da República ocupa o largo principal da vila de Velas, local onde em tempos idos esteve localizado o mercado da localidade. Este jardim encontra-se delimitado por muros baixos dotados de um gradeamento superior, canteiros de formas variadas, arbusto e algumas árvores. Ao centro possui um coreto.
   O jardim encontra-se no centro de uma envolvente de edifícios e integrado num espaço que não lhe dá qualquer hipótese de crescer. Beneficia no entanto de uma excelente enquadramento arquitectónico dos prédios urbanos que tem em volta. Desses edifícios sobressai o edifício da Câmara Municipal, um dos exemplos máximos do barroco insular na ilha de São Jorge. Do lado oposto a este, ergue-se o edifício da sociedade filarmónica velense,
   

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ilha Graciosa - Lenda do Vai-te com o Diabo



Era uma vez uma mulher de Guadalupe, na Graciosa, que ía casar uma filha em poucos dias. Estavam a fazer as cozeduras e, com todos os preparativos, a mulher já tinha gasto muito do pouco que tinha. É que para casar uma filha são gastos e mais gastos.
   Numa certa altura, a mulher já estava farta de puxar pela carteira e,
arrenegada, virou-se para a filha e disse:
   - Vai-te com o diabo, rapariga, que me levas tudo o que tenho!
   Ninguém prestou atenção a estas palavras, mas passado pouco tempo , quando foram pela rapariga, não a encontraram em casa nem na vizinhança. Toda a gente ficou muito aflita, principalmente os pais e o noivo. Começaram então a procurar em lugares mais distantes, até que, sem saber mais onde procurar, foram para a serra e chegaram junto de um algar a que chamam de Caldeirinha. Desceram o mais depressa que puderam a vereda perigosa que conduz até à entrada de forma arredondada que conduz não se sabe onde? Ainda mais surpresas e aflitos ficaram, quando viram ali as galochas da rapariga e acreditaram que ela estava dentro da Caldeirinha.
   Foram buscar cordas muito fortes, ataram-nas umas às outras e o noivo amarrou-se. Cheio de medo por não saber o que ia encontrar lá dentro, foi descido pelo buraco escuro e medonho. No fundo encontrou a infeliz rapariga, tremendo de medo e aparvalhada. Amarrou-a também com as cordas e lá subiram os dois.
   O pior estava passado!  Mas quando questionaram a rapariga como tinha ído ali parar, ela não sabia ao certo. Então a mãe lembrou-se da blasfémia que tinha dito, tendo-a entregue ao diabo. Ele, que anda sempre à procura de almas, levara-a logo para o lugar onde se costumava esconder, a Caldeirinha.