domingo, 28 de outubro de 2012

Ilha Terceira - Porto Judeu



O Porto Judeu localiza-se no concelho de Angra do Heroísmo.Abrange uma área de30,86 quilómetros quadrados, dos quais 28,5 na ilha propriamente dita, e os restantes 2,36 constituídos pelos Ilhéus das Cabras. Estende-se do litoral, onde confronta com as freguesias de São Sebastião e Feteira, ao interior, onde confronta com as freguesias da Ribeirinha, São Bento, Posto Santo, Quatro Ribeiras e Agualva.
   Possui 2 501 habitantes, segundo o censo geral de 2011. A população ativa ocupa-se em atividades diversas como a agro-pecuária, a pesca, construção civil, mercearia e carpintaria,panificação, restauração e similares e serviços. Parte significativa da população ativa desloca-se e trabalha em Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.
   A freguesia tem um porto e uma excelente zona balnear. Por situar-se numa zona muito seca, possui um microclima também seco e salubre.
   Desconhece-se a data de criação da freguesia, primitivamente denominada como Porto Judeu de Santo António e também de Porto do Judeu. Segundo a tradição, aqui terão desembarcado os primeiros povoadores da Terceira. Entre as lendas mais conhecidas que buscam justificar a toponímia, refere-se que Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário , aqui terá desembarcado a 1 de Janeiro, premido pelo mau tempo e pela necessidade de abrigo naquela data. Como a enseada do porto é de pequenas dimensões, não oferendo grandes condições de abrigo, e por naquele tempo chamar-se de "judeu" a tudo que fosse mau, afirma-se que o ancoradouro foi por essa razão chamado de Porto Judeu.
   Embora não tenham chegado até nós fontes documentais sobre a fundação da freguesia, a informação do povoamento coevo ao da ilha é confirmada pelo fato da construção da igreja paroquial ser anterior a 1470.
   O povoado foi estabelecido em sesmaria recebida do capitão do donatário pelo senador João Coelho, filho de Pêro de Coelho , conselheiro de Afonso IV de Portugal, um dos implicados no assassinato de Inês de Castro. João Coelho acompanhava Jácome de Bruges na sua segunda viagem à Terceira, mas não se fixou na ilha, tendo partido em outras conquistas. Os 32 molhos de terra que recebeu foram, em pouco tempo, passados pelos seus familiares e, do que sobrou, constituiu-se a freguesia. O seu sobrenome sobreviveu na toponímia, na chamada ponta dos Coelhos, que se estende do pico do Refugo até à Salga.
   A povoação de Porto Judeu foi elevada à categoria de Vila por Carta-Régia de D.Manuel I, datada de 12 de Fevereiro de 1502 estatuto revogado no ano seguinte quando da elevação do lugar da Ribeira de São João a Vila de São Sebastião (1503) e sede de concelho. A criação deste dividia a Terceira em três partes, separando Angra e a Praia de um lado ao outro da ilha e ficando o Porto Judeu adstrito à Vila de São Sebastião até 1870, quando passou a integrar o concelho de Angra do Heroísmo.
   
   

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ilha de S.Miguel - O Lugar da Ferraria.



O Lugar da Ferraria,  situa-se  no extremo sudoeste da ilha de São Miguel,junto ao mar.
   Integrado no Monumento Natural Regional do Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria, esta zona de proteção da natureza é composta por diversas estruturas de origem vulcânica de grande valor paisagístico e científico.
   Este acontecimento geológico é anterior ao povoamento da ilha de São Miguel e teve origem numa erupção estromboliana que construiu um cone de escórias e originou uma escoada de lava. A lava desceu pela arriba em direção ao mar e construiu uma fajã lávica.
   A entrada desta corrente lávica no mar, gerou uma explosão freática, que por sua vez criou uma estrutura vulcânica em forma de cone, encimada por uma cratera.
   Não sendo uma cratera comum, por não estar associada a uma chaminé vulcânica de cuja profundidade viria o magma, esta cratera é científicamente designada de pseudocratera e é considerada, pela sua singularidade e beleza, um Geomonumento a preservar.
   Mas para além da sua beleza e interesse científico, o lugar da Ferraria tem outra grande riqueza: as suas duas nascentes de águas termais de origem vulcânica que aquecem as piscinas naturais da Ferraria e abastecem o seu complexo Termal. As qualidades terapêuticas das águas termais da Ferraria levaram a que esta se tornasse um local quase de culto.
   As suas Termas  datam de meados do século XX, mas as qualidades da sua água já eram referidas quatro séculos antes por Gaspar Frutuoso na obra ‘Saudades da Terra’.
   Consideradas um caso único no mundo, devido à existência de água salgada termal com um teor de enxofre muito elevado, as águas da Ferraria, além de curarem problemas de reumatismo e nevrites, são também usadas para tratar de doenças de outros foros.
   Com o investimento recentemente concluído, foi possível manter a traça original do edifício original e, em simultâneo, dotá-lo de evoluídos equipamentos, o que permitiu criar um moderno SPA Termal, que concilia o conceito tradicional de termas com fins terapêuticos e medicinais a uma vertente mais moderna de turismo termal e de técnicas de fisioterapia, relaxamento e bem estar.
   
   

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ilha Terceira - Porto Martins.

O Porto Martins é uma freguesia essencialmente rural, que se situa no concelho da Praia da Vitória.
   A sua paisagem é bastante invulgar e variada, carateriza-se por estar coberta de vinhas estendidas por cima das pedras, e também por possuir bastantes pomares entre os quais se destacam os únicos na ilha Terceira onde se cultiva a oliveira.
   Provavelmente a enseada de Porto de Martim é assim referida devido a Martim Anes, um dos primeiros habitantes deste lugar, no qual fez uns granéis mui grandes, e os primeiros da ilha. O mesmo autor acredita que parece ser o mesmo que serviu de vereador na Câmara Municipal de São Sebastião no ano de 1526.
   Foi desmembrada da vizinha freguesia do Cabo da Praia,  em 9 de Maio de 2001 por força do Decreto Legislativo Regional 11/2001/A de 26 de Junho do Parlamento açoriano, data em que foi elevada a freguesia.
   Esta freguesia deve muito à filantropia de José Coelho Pamplona, 1.ºvisconde de Porto Martins, natural da freguesia, que doou os fundos necessários para a construção da igreja paroquial, ampliando a antiga ermida de Santa Margarida, da escola primária e do primitivo sistema de chafarizes que abastecia a povoação. O visconde do Porto Martim foi uma das figuras mais ilustres da comunidade portuguesa de São Paulo, no Brasil.
   Quanto ao seu Património Natural, destaca-se a Gruta da Furna da Madre de Deus e a Piscina Municipal.
   No Património Edificado, merecem relevo , a Igreja Paroquial, o Forte de Nossa Senhora da Nazaré,o Chafariz do Largo Comendador Pamplona, o Forte de S.Bento e o Império do Divino Espírito Santo.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ilha de S.Miguel - Caldeira Velha.



A Caldeira Velha é uma Reserva Natural localizada no concelho da Ribeira Grande, ilha de S.Miguel.
   É uma Reserva da Biosfera de grande importância para a botânica e faunas típicas das Florestas da Laurisilva, dada a grande diversidade de espécies e a elevada abundância de fetos arbóreos que povoam este Monumento natural, principalmente devido ao clima muito próprio que estimulou o aparecimento de associações de vegetação natural e floresta de espécies exóticas.
   Carateriza-se também pelas suas características geológicas uma vez que que forças telúricas se fizeram sentir aqui em tempos geologicamente recentes com grande intensidade. O seu relevo acidentado profundamente encaixado na montanha do Pico do Fogo, aliado a uma ribeira com pequenos açudes e abundantes caudais em determinadas épocas do ano.
    Os Açudes, devido à temperatura da água e a suas características medicinais são utilizadas há séculos para banhos.
   Esta ribeira é alimentada por nascentes de água quente de origem termal que caem formando cascatas com água acastanhada devido à grande abundância de ferro existente na água.
   É de salientar a abundância de caldeiras, fumarolas e afloramentos rochosos de cores variadas.
   O seu ponto de maior altitude encontra-se nos 628 metros e faz parte dos contrafortes do Vulcão do Fogo, cuja cratera se encontra alojada a Lagoa do Fogo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ilha do Faial - Reserva Florestal Natural do Parque do Capelo


Esta Reserva Florestal é um espaço de recreio que se localiza na freguesia do Capelo, concelho da Horta.localizado a cerca de 100 metros de altitude, praticamente à saída da freguesia de Capelo.
    Ocupa um espaço de 96 hectares e encontra-se profusamente arborizado destacando-se uma forte abundância e diversidade de plantas endémicas da Macaronésia, típicas das florestas da Laurissilva.
   Está devidamente equipado para a prática de piquenique e churrascos podendo ser utilizado para diversas atividades de manutenção física.
   Oferece também várias possibilidades de percursos pedestres, que se encontram devidamente assinalados. Pelo meio da vegetação surgem algumas grutas naturais, facto que se encontra relacionado com a existência de antigas erupções vulcânicas. De entre estas é de destacar a denominada Gruta do Parque do Capelo, que é a conhecida com maior dimensão atingindo um comprimento de 55.3 m, uma largura máxima de 5.2 m e uma altura máxima de 1.6 m.
   Existem também estruturas habitacionais tradicionais dos Açores, nomeadamente casas em pedra de cantaria basáltica de cor negra.
  
  

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Museu Carlos Machado - História da sua fundação



A necessidade de se fundar um museu em Ponta Delgada começou a ser discutida logo após a implantação do Liberalismo, na sequência do surto de desenvolvimento que a cidade conheceu após ter assumido o papel de capital de distrito, liberta da tutela da Capitania Geral instalada em Angra. Sugestões nesse sentido foram sendo adiadas até ao período em que António Feliciano de Castilho residiu na cidade e pugnou pela criação de uma instituição museológica, gerando-se um forte movimento nesse sentido, centrado na Sociedade dos Amigos das Letras e Artes. Contudo, apesar de se terem organizado duas grandes exposições de Artes e Indústrias e da Sociedade ter criado um gabinete de numismática, uma galeria de estampas, uma colecção de gravuras e uma biblioteca, com a partida de Castilho o entusiasmo foi arrefecendo e mais uma vez as intenções se goraram.
   Passaram-se mais algumas décadas, até que Carlos Maria Gomes Machado, então reitor do Liceu de Ponta Delgada e professor de Introdução à História Natural, retomou a ideia, agora essencialmente voltada para a História Natural. As primeiras colecções foram reunidas a partir de 1876, quando Carlos Machado criou, inicialmente para apoio à sua disciplina, um gabinete zoológico e mineralógico que servisse, também, de local de estudo e investigação das espécies açorianas. No campo museológico, esta foi a primeira iniciativa a ter sucesso nos Açores, o que faz do Gabinete de História Natural de Ponta Delgada o decano dos museus açorianos.
   Organizado ainda sob o espírito oitocentista de criação de "gabinetes" zoológicos, botânicos e mineralógicos, as colecções que deram origem ao actual departamento de História Natural do Museu Carlos Machado, foram progressivamente enriquecidas e, aquele que inicialmente era um museu de âmbito escolar, foi-se progressivamente autonomizando e abrindo aos estudiosos da ilha e à comunidade científica internacional.
   Em resultado da iniciativa de Carlos Machado, a 10 de Junho de 1880, por ocasião das celebrações do tricentenário da morte de Luís de Camões, foi inaugurado o então denominado Museu Açoreano, expondo diversas colecções de Ciências Naturais, nomeadamente, Zoologia, Botânica, Geologia e Mineralogia, com espécimes maioritariamente oriundas do arquipélago dos Açores e hoje consideradas históricas. O Museu Açoreano ficou instalado nas dependências do extinto Convento de Nossa Senhora da Graça de Ponta Delgada, que também albergava o Liceu.
   O património inicial do Museu, essencialmente constituído pela colecção pessoal de Carlos Machado e por aquisições feitas para o Liceu, foi sendo progressivamente enriquecido com o apoio de vários membros da elite micaelense, entre os quais António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa (1.º marquês da Praia e Monforte), o naturalista Francisco de Arruda Furtado, o Dr. Bruno Tavares Carreiro, o coronel Francisco Afonso Chaves e Jacinto da Silveira Gago da Câmara (2.º conde de Fonte Bela). Deve-se a este último a oferta da colecção de Etnografia Africana e o apoio financeiro que permitiu suportar as despesas com a deslocação de Manuel António de Vasconcelos a Lisboa, onde cursou taxidermia.
   Em resultado do aumento de seu património, o espólio do museu foi distribuído por diversos espaços do Convento de Nossa Senhora da Graça, onde estava instalado o Liceu e se encontravam os exemplares de Zoologia e Etnografia, e um edifício da Alameda de D. Pedro IV, no Relvão, onde passaram a ser expostas as colecções de Pintura, Botânica, Mineralogia, Geologia e a Biblioteca.
   Tendo viveu as suas primeiras décadas essencialmente devotado às colecções botânicas (reunindo um herbário de grande valor científico), zoológicas e de minerais e rochas, as secções etnográficas e de Arte foram iniciados em 1912, quando o Dr. Luís Bernardo Leite de Ataíde foi convidado a integrar a equipa diretiva do Museu.
   Foi então desenvolvida a incipiente Secção de Arte e orientado o crescimento da Secção de Etnografia através da recolha de uma diversificada colecção de ferramentas e objectos da vida quotidiana do mundo rural açoriano. A partir desse período iniciaram-se as exposições de pintura, contando com artistas locais e do exterior do arquipélago, com as resultantes ofertas e aquisições a constituírem o núcleo inicial de pintura, escultura e artes decorativas da instituição. Para as aquisições e para a sustentação do museu, para além das instituições oficiais, a instituição contou com a generosidade de alguns mecenas, entre os quais se destacou, por sua generosidade, Aires Jácome Correia, o 1.º marquês de Jácome Corrêa.
   Deste núcleo inicial de pintura destacam-se obras de Carlos Reis, Veloso Salgado, Ezequiel Pereira, António Saúde e Ernesto Condeixa. Este último registou minuciosamente a visita régia de 1901 aos Açores pelo rei D. Carlos I de Portugal e pela rainha D. Amélia de Orleães. O trabalho foi produzido por encomenda de Aires Jácome Correia, resultando numa notável colecção pictórica, a maior parte da qual se encontra no Palácio de Santana, então a sua residência particular, hoje residência oficial do Presidente do Governo dos Açores.
   Com o impulso de Luís Bernardo Leite de Ataíde, o Museu Açoreano entrou numa fase de franco crescimento e consolidação. Foi nesse contexto propício, que a partir de 1914 passou a denominar-se Museu Carlos Machado, em homenagem ao seu fundador.