domingo, 28 de outubro de 2012
Ilha Terceira - Porto Judeu
O Porto Judeu localiza-se no concelho de Angra do Heroísmo.Abrange uma área de30,86 quilómetros quadrados, dos quais 28,5 na ilha propriamente dita, e os restantes 2,36 constituídos pelos Ilhéus das Cabras. Estende-se do litoral, onde confronta com as freguesias de São Sebastião e Feteira, ao interior, onde confronta com as freguesias da Ribeirinha, São Bento, Posto Santo, Quatro Ribeiras e Agualva.
Possui 2 501 habitantes, segundo o censo geral de 2011. A população ativa ocupa-se em atividades diversas como a agro-pecuária, a pesca, construção civil, mercearia e carpintaria,panificação, restauração e similares e serviços. Parte significativa da população ativa desloca-se e trabalha em Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.
A freguesia tem um porto e uma excelente zona balnear. Por situar-se numa zona muito seca, possui um microclima também seco e salubre.
Desconhece-se a data de criação da freguesia, primitivamente denominada como Porto Judeu de Santo António e também de Porto do Judeu. Segundo a tradição, aqui terão desembarcado os primeiros povoadores da Terceira. Entre as lendas mais conhecidas que buscam justificar a toponímia, refere-se que Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário , aqui terá desembarcado a 1 de Janeiro, premido pelo mau tempo e pela necessidade de abrigo naquela data. Como a enseada do porto é de pequenas dimensões, não oferendo grandes condições de abrigo, e por naquele tempo chamar-se de "judeu" a tudo que fosse mau, afirma-se que o ancoradouro foi por essa razão chamado de Porto Judeu.
Embora não tenham chegado até nós fontes documentais sobre a fundação da freguesia, a informação do povoamento coevo ao da ilha é confirmada pelo fato da construção da igreja paroquial ser anterior a 1470.
O povoado foi estabelecido em sesmaria recebida do capitão do donatário pelo senador João Coelho, filho de Pêro de Coelho , conselheiro de Afonso IV de Portugal, um dos implicados no assassinato de Inês de Castro. João Coelho acompanhava Jácome de Bruges na sua segunda viagem à Terceira, mas não se fixou na ilha, tendo partido em outras conquistas. Os 32 molhos de terra que recebeu foram, em pouco tempo, passados pelos seus familiares e, do que sobrou, constituiu-se a freguesia. O seu sobrenome sobreviveu na toponímia, na chamada ponta dos Coelhos, que se estende do pico do Refugo até à Salga.
A povoação de Porto Judeu foi elevada à categoria de Vila por Carta-Régia de D.Manuel I, datada de 12 de Fevereiro de 1502 estatuto revogado no ano seguinte quando da elevação do lugar da Ribeira de São João a Vila de São Sebastião (1503) e sede de concelho. A criação deste dividia a Terceira em três partes, separando Angra e a Praia de um lado ao outro da ilha e ficando o Porto Judeu adstrito à Vila de São Sebastião até 1870, quando passou a integrar o concelho de Angra do Heroísmo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Ilha de S.Miguel - O Lugar da Ferraria.
O Lugar da Ferraria, situa-se no extremo sudoeste da ilha de São Miguel,junto ao mar.
Integrado no Monumento Natural Regional do Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria, esta zona de proteção da natureza é composta por diversas estruturas de origem vulcânica de grande valor paisagístico e científico.
Este acontecimento geológico é anterior ao povoamento da ilha de São Miguel e teve origem numa erupção estromboliana que construiu um cone de escórias e originou uma escoada de lava. A lava desceu pela arriba em direção ao mar e construiu uma fajã lávica.
A entrada desta corrente lávica no mar, gerou uma explosão freática, que por sua vez criou uma estrutura vulcânica em forma de cone, encimada por uma cratera.
Não sendo uma cratera comum, por não estar associada a uma chaminé vulcânica de cuja profundidade viria o magma, esta cratera é científicamente designada de pseudocratera e é considerada, pela sua singularidade e beleza, um Geomonumento a preservar.
Mas para além da sua beleza e interesse científico, o lugar da Ferraria tem outra grande riqueza: as suas duas nascentes de águas termais de origem vulcânica que aquecem as piscinas naturais da Ferraria e abastecem o seu complexo Termal. As qualidades terapêuticas das águas termais da Ferraria levaram a que esta se tornasse um local quase de culto.
As suas Termas datam de meados do século XX, mas as qualidades da sua água já eram referidas quatro séculos antes por Gaspar Frutuoso na obra ‘Saudades da Terra’.
Consideradas um caso único no mundo, devido à existência de água salgada termal com um teor de enxofre muito elevado, as águas da Ferraria, além de curarem problemas de reumatismo e nevrites, são também usadas para tratar de doenças de outros foros.
Com o investimento recentemente concluído, foi possível manter a traça original do edifício original e, em simultâneo, dotá-lo de evoluídos equipamentos, o que permitiu criar um moderno SPA Termal, que concilia o conceito tradicional de termas com fins terapêuticos e medicinais a uma vertente mais moderna de turismo termal e de técnicas de fisioterapia, relaxamento e bem estar.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Ilha Terceira - Porto Martins.
O Porto Martins é uma freguesia essencialmente rural, que se situa no concelho da Praia da Vitória.
A sua paisagem é bastante invulgar e variada, carateriza-se por estar coberta de vinhas estendidas por cima das pedras, e também por possuir bastantes pomares entre os quais se destacam os únicos na ilha Terceira onde se cultiva a oliveira.
Provavelmente a enseada de Porto de Martim é assim referida devido a Martim Anes, um dos primeiros habitantes deste lugar, no qual fez uns granéis mui grandes, e os primeiros da ilha. O mesmo autor acredita que parece ser o mesmo que serviu de vereador na Câmara Municipal de São Sebastião no ano de 1526.
Foi desmembrada da vizinha freguesia do Cabo da Praia, em 9 de Maio de 2001 por força do Decreto Legislativo Regional 11/2001/A de 26 de Junho do Parlamento açoriano, data em que foi elevada a freguesia.
Esta freguesia deve muito à filantropia de José Coelho Pamplona, 1.ºvisconde de Porto Martins, natural da freguesia, que doou os fundos necessários para a construção da igreja paroquial, ampliando a antiga ermida de Santa Margarida, da escola primária e do primitivo sistema de chafarizes que abastecia a povoação. O visconde do Porto Martim foi uma das figuras mais ilustres da comunidade portuguesa de São Paulo, no Brasil.
Quanto ao seu Património Natural, destaca-se a Gruta da Furna da Madre de Deus e a Piscina Municipal.
No Património Edificado, merecem relevo , a Igreja Paroquial, o Forte de Nossa Senhora da Nazaré,o Chafariz do Largo Comendador Pamplona, o Forte de S.Bento e o Império do Divino Espírito Santo.
A sua paisagem é bastante invulgar e variada, carateriza-se por estar coberta de vinhas estendidas por cima das pedras, e também por possuir bastantes pomares entre os quais se destacam os únicos na ilha Terceira onde se cultiva a oliveira.
Provavelmente a enseada de Porto de Martim é assim referida devido a Martim Anes, um dos primeiros habitantes deste lugar, no qual fez uns granéis mui grandes, e os primeiros da ilha. O mesmo autor acredita que parece ser o mesmo que serviu de vereador na Câmara Municipal de São Sebastião no ano de 1526.
Foi desmembrada da vizinha freguesia do Cabo da Praia, em 9 de Maio de 2001 por força do Decreto Legislativo Regional 11/2001/A de 26 de Junho do Parlamento açoriano, data em que foi elevada a freguesia.
Esta freguesia deve muito à filantropia de José Coelho Pamplona, 1.ºvisconde de Porto Martins, natural da freguesia, que doou os fundos necessários para a construção da igreja paroquial, ampliando a antiga ermida de Santa Margarida, da escola primária e do primitivo sistema de chafarizes que abastecia a povoação. O visconde do Porto Martim foi uma das figuras mais ilustres da comunidade portuguesa de São Paulo, no Brasil.
Quanto ao seu Património Natural, destaca-se a Gruta da Furna da Madre de Deus e a Piscina Municipal.
No Património Edificado, merecem relevo , a Igreja Paroquial, o Forte de Nossa Senhora da Nazaré,o Chafariz do Largo Comendador Pamplona, o Forte de S.Bento e o Império do Divino Espírito Santo.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Ilha de S.Miguel - Caldeira Velha.
A Caldeira Velha é uma Reserva Natural localizada no concelho da Ribeira Grande, ilha de S.Miguel.
É uma Reserva da Biosfera de grande importância para a botânica e faunas típicas das Florestas da Laurisilva, dada a grande diversidade de espécies e a elevada abundância de fetos arbóreos que povoam este Monumento natural, principalmente devido ao clima muito próprio que estimulou o aparecimento de associações de vegetação natural e floresta de espécies exóticas.
Carateriza-se também pelas suas características geológicas uma vez que que forças telúricas se fizeram sentir aqui em tempos geologicamente recentes com grande intensidade. O seu relevo acidentado profundamente encaixado na montanha do Pico do Fogo, aliado a uma ribeira com pequenos açudes e abundantes caudais em determinadas épocas do ano.
Os Açudes, devido à temperatura da água e a suas características medicinais são utilizadas há séculos para banhos.
Esta ribeira é alimentada por nascentes de água quente de origem termal que caem formando cascatas com água acastanhada devido à grande abundância de ferro existente na água.
É de salientar a abundância de caldeiras, fumarolas e afloramentos rochosos de cores variadas.
O seu ponto de maior altitude encontra-se nos 628 metros e faz parte dos contrafortes do Vulcão do Fogo, cuja cratera se encontra alojada a Lagoa do Fogo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Ilha do Faial - Reserva Florestal Natural do Parque do Capelo
Esta Reserva Florestal é um espaço de recreio que se localiza na freguesia do Capelo, concelho da Horta.localizado a cerca de 100 metros de altitude, praticamente à saída da freguesia de Capelo.
Ocupa um espaço de 96 hectares e encontra-se profusamente arborizado destacando-se uma forte abundância e diversidade de plantas endémicas da Macaronésia, típicas das florestas da Laurissilva.
Está devidamente equipado para a prática de piquenique e churrascos podendo ser utilizado para diversas atividades de manutenção física.
Oferece também várias possibilidades de percursos pedestres, que se encontram devidamente assinalados. Pelo meio da vegetação surgem algumas grutas naturais, facto que se encontra relacionado com a existência de antigas erupções vulcânicas. De entre estas é de destacar a denominada Gruta do Parque do Capelo, que é a conhecida com maior dimensão atingindo um comprimento de 55.3 m, uma largura máxima de 5.2 m e uma altura máxima de 1.6 m.
Existem também estruturas habitacionais tradicionais dos Açores, nomeadamente casas em pedra de cantaria basáltica de cor negra.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Museu Carlos Machado - História da sua fundação
A necessidade de se fundar um museu em Ponta Delgada começou a ser discutida logo após a implantação do Liberalismo, na sequência do surto de desenvolvimento que a cidade conheceu após ter assumido o papel de capital de distrito, liberta da tutela da Capitania Geral instalada em Angra. Sugestões nesse sentido foram sendo adiadas até ao período em que António Feliciano de Castilho residiu na cidade e pugnou pela criação de uma instituição museológica, gerando-se um forte movimento nesse sentido, centrado na Sociedade dos Amigos das Letras e Artes. Contudo, apesar de se terem organizado duas grandes exposições de Artes e Indústrias e da Sociedade ter criado um gabinete de numismática, uma galeria de estampas, uma colecção de gravuras e uma biblioteca, com a partida de Castilho o entusiasmo foi arrefecendo e mais uma vez as intenções se goraram.
Passaram-se mais algumas décadas, até que Carlos Maria Gomes Machado, então reitor do Liceu de Ponta Delgada e professor de Introdução à História Natural, retomou a ideia, agora essencialmente voltada para a História Natural. As primeiras colecções foram reunidas a partir de 1876, quando Carlos Machado criou, inicialmente para apoio à sua disciplina, um gabinete zoológico e mineralógico que servisse, também, de local de estudo e investigação das espécies açorianas. No campo museológico, esta foi a primeira iniciativa a ter sucesso nos Açores, o que faz do Gabinete de História Natural de Ponta Delgada o decano dos museus açorianos.
Organizado ainda sob o espírito oitocentista de criação de "gabinetes" zoológicos, botânicos e mineralógicos, as colecções que deram origem ao actual departamento de História Natural do Museu Carlos Machado, foram progressivamente enriquecidas e, aquele que inicialmente era um museu de âmbito escolar, foi-se progressivamente autonomizando e abrindo aos estudiosos da ilha e à comunidade científica internacional.
Em resultado da iniciativa de Carlos Machado, a 10 de Junho de 1880, por ocasião das celebrações do tricentenário da morte de Luís de Camões, foi inaugurado o então denominado Museu Açoreano, expondo diversas colecções de Ciências Naturais, nomeadamente, Zoologia, Botânica, Geologia e Mineralogia, com espécimes maioritariamente oriundas do arquipélago dos Açores e hoje consideradas históricas. O Museu Açoreano ficou instalado nas dependências do extinto Convento de Nossa Senhora da Graça de Ponta Delgada, que também albergava o Liceu.
O património inicial do Museu, essencialmente constituído pela colecção pessoal de Carlos Machado e por aquisições feitas para o Liceu, foi sendo progressivamente enriquecido com o apoio de vários membros da elite micaelense, entre os quais António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa (1.º marquês da Praia e Monforte), o naturalista Francisco de Arruda Furtado, o Dr. Bruno Tavares Carreiro, o coronel Francisco Afonso Chaves e Jacinto da Silveira Gago da Câmara (2.º conde de Fonte Bela). Deve-se a este último a oferta da colecção de Etnografia Africana e o apoio financeiro que permitiu suportar as despesas com a deslocação de Manuel António de Vasconcelos a Lisboa, onde cursou taxidermia.
Em resultado do aumento de seu património, o espólio do museu foi distribuído por diversos espaços do Convento de Nossa Senhora da Graça, onde estava instalado o Liceu e se encontravam os exemplares de Zoologia e Etnografia, e um edifício da Alameda de D. Pedro IV, no Relvão, onde passaram a ser expostas as colecções de Pintura, Botânica, Mineralogia, Geologia e a Biblioteca.
Tendo viveu as suas primeiras décadas essencialmente devotado às colecções botânicas (reunindo um herbário de grande valor científico), zoológicas e de minerais e rochas, as secções etnográficas e de Arte foram iniciados em 1912, quando o Dr. Luís Bernardo Leite de Ataíde foi convidado a integrar a equipa diretiva do Museu.
Foi então desenvolvida a incipiente Secção de Arte e orientado o crescimento da Secção de Etnografia através da recolha de uma diversificada colecção de ferramentas e objectos da vida quotidiana do mundo rural açoriano. A partir desse período iniciaram-se as exposições de pintura, contando com artistas locais e do exterior do arquipélago, com as resultantes ofertas e aquisições a constituírem o núcleo inicial de pintura, escultura e artes decorativas da instituição. Para as aquisições e para a sustentação do museu, para além das instituições oficiais, a instituição contou com a generosidade de alguns mecenas, entre os quais se destacou, por sua generosidade, Aires Jácome Correia, o 1.º marquês de Jácome Corrêa.
Deste núcleo inicial de pintura destacam-se obras de Carlos Reis, Veloso Salgado, Ezequiel Pereira, António Saúde e Ernesto Condeixa. Este último registou minuciosamente a visita régia de 1901 aos Açores pelo rei D. Carlos I de Portugal e pela rainha D. Amélia de Orleães. O trabalho foi produzido por encomenda de Aires Jácome Correia, resultando numa notável colecção pictórica, a maior parte da qual se encontra no Palácio de Santana, então a sua residência particular, hoje residência oficial do Presidente do Governo dos Açores.
Com o impulso de Luís Bernardo Leite de Ataíde, o Museu Açoreano entrou numa fase de franco crescimento e consolidação. Foi nesse contexto propício, que a partir de 1914 passou a denominar-se Museu Carlos Machado, em homenagem ao seu fundador.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Peter Café Sport.
O Peter Café Sport localiza-se no centro histórico da cidade da Horta, na ilha do Faial.
Constitui um marco histórico e cultural do arquipélago e, particularmente, da ilha. Uma expressão, consagrada ente os iatistas, resume esse destaque: "Se velejares até à Horta e não visitares o 'Peter Café Sport',
Em 1986, a revista Newsweek considerou-o entre os melhores bares do mundo, distinção que mantêm até à atualidade.
A história do Peter remonta à fundação do "Bazar do Fayal", no Largo de Neptuno (atual Praça do Infante), na Horta, vocacionado para o comércio de artesanato local. Era seu proprietário Ernesto Lourenço Azevedo.Posteriormente, no início do século XX, as suas instalações mudaram para a Rua Tenente Valadim (atual Rua José Azevedo "Peter"), passando a denominar-se "Casa dos Açores/Azorean Hpuse", e ampliando as suas atividades que, além do artesanato regional, passaram a compreender um bar. A sua localização estratégica, vizinho ao porto da Horta, favoreceu-lhe os negócios.
No contexto da Primeira Guerra Mundial, em 1918, Henrique Lourenço Ávila Azevedo (n. 16 de Junho de 1895, f. 3 de Maio de 1975), um dos filhos do fundador, ao mudar uma vez mais de instalações, alterou-lhe o nome para "Café Sport", devido à paixão que cultivava pelo desporto, uma vez que era praticante de futebol, remo e bilhar.
A origem do nome "Peter" está ligada à tripulação do "HMS Lusitania II" da Royal Navy. Reconhecendo semelhanças entre o jovem José Azevedo (n. 18 de Maio de 1925, f. 19 de Novembro de 2005) com o seu filho de nome Peter, o oficial-chefe do serviço de munições e manutenção daquele navio, passou a chamá-lo de Peter. E por esse apelido José Azevedo ficou conhecido o resto de sua vida.
O Museu de Scrimshaw, inaugurado em 1986, possui a maior e mais bela colecção particular de "Scrimshaw" no mundo.
Desde do início da década de 1960, quando assumiu o negócio, José de Azevedo "Peter" tornou-se conhecido pela arte de bem receber os iatistas e por lhes prestar assistência quando em trânsito na baía da Horta. Em 1967, o Ocean Crusing Club, através do seu presidente e fundador, Humphrey Barton, propõs José Azevedo como sócio em reconhecimento dos muitos serviços prestados aos iatistas. Em 1981, foi nomeado sócio-honorário do Ocean Crusing Club.
No plano nacional, o reconhecimento manifestou-se pelo convite para participar na Expo98, em Lisboa, onde foi montada uma réplica do "Peter Café Sport".
Em 2003, foi agraciado pelo então Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, com a Medalha de Grau Oficial da Ordem de Mérito, e, pela Secretaria de Estado, com a medalha de "Mérito Comercial e Turístico.O Papa João Paulo II concedeu-lhe a Bênção Apostólica.No ano seguinte, recebeu o galardão "Correio de Ouro" atribuído pelos CTT, pelo serviço postal internacional.
Recebeu ainda a visita dos reis de Espanha, a 28 de Julho de 2005, em sua visita a título privado aos Açores. Em Agosto, foi homenageado pelo Banco Millennium BCP pelo "seu empreendorismo, inovação e dedicação.
José Henrique Azevedo, filho do "Peter", sucedeu-o à frente dos negócios, em 19 de Novembro de 2005.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Ilha Terceira - Descoberta e Povoamento.
Não há certeza quanto à data de descoberta da Terceira, embora a mesma já figure em portulanos quatrocentistas. Foi inicialmente denominada como Ilha de Jesus Cristo e, posteriormente como Ilha de Jesus Cristo da Terceira, até se afirmar a designação atual de apenas Terceira. O cronista Gaspar Frutuoso relaciona várias hipóteses para a sua primitiva designação:
A ilha começou a ser povoada a partir da sua doação, por carta do Infante D. Henrique, datada de 21 de Março de 1450, ao flamengo Jácome de Bruges.
Bruges trouxe as suas gentes, muitas famílias portuguesas e algumas espécies de animais, tendo o seu desembarque ocorrido, segundo alguns estudiosos, no Porto Judeu, e, segundo outros, no chamado Pesqueiro dos Meninos, próximo à Ribeira Seca.
A primeira povoação terá sido no lugar de Portalegre, erguendo-se um pequeno templo, o primeiro da ilha, sob a invocação de Santa Ana.
Tomadas as primeiras providências para a fixação das gentes, Brugues retornou ao reino a pedir mais pessoas para auxiliá-lo no povoamento. Nessa viagem, terá passado pela ilha da Madeira, de onde trouxe Diogo de Teive, a quem foi atribuído o cargo de seu lugar-tenente e Ouvidor-geral da ilha Terceira. Além destes titulares, vieram para a ilha alguns frades franciscanos para o culto religioso, visto que as ilhas pertenciam à Ordem de Cristo.
Poucos anos mais tarde, Jácome de Brugues fixou a sua residência no sítio da Praia, lançando os fundamentos da sua igreja matriz - a Igreja de Santa Cruz - em 1456, de onde passou a administrar a capitania da ilha até à data do seu desaparecimento (1474), em circunstâncias não esclarecidas, acredita-se que durante uma viagem entre a ilha e o continente.
Entre os primeiros povoadores cita-se ainda o nome de outro flamengo, Fernão Dulmo, que recebeu terras nas Quatro Ribeiras, entre o Biscoito Bravo e a ribeira da Agualva, lugar onde, segundo o historiador Francisco Ferreira Drummond "...ali desembarcou com trinta pessoas, cultivou a terra e deu princípio à igreja.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Ilha de Santa Maria - Geografia e Geologia.
Localizada a cerca de 100 km ao sul da ilha de São Miguel e a cerca de 600 km da ilha das Flores, Santa Maria é a ilha mais oriental e a mais meridional do arquipélago. Fica compreendida entre os paralelos 36º 55' N e 37º 01' N e os meridianos 25º00' W e 25º 11' W. O seu formato é sensivelmente quadrangular e, sendo o comprimento máximo da respectiva diagonal de cerca de 15,5 quilómetros, entre a ponta do Castelo e a Sudeste e a ponta da Restinga, a Noroeste.
Geologicamente é a mais antiga dos Açores, com formações que ultrapassam os 8,12 milhões de anos de idade, sendo por isso a de vulcanismo mais remoto. Esta idade comparativamente avançada confere maturidade ao relevo e explica a presença de extensas formações de origem sedimentar onde se podem encontrar fósseis marinhos.
Embora seja a única no arquipélago que não apresenta atividade vulcânica recente, também está sujeita a sismicidade relativamente elevada dada a sua proximidade ao troço final da Falha Glória (zona de fractura Açores-Gibraltar). Demonstram-no, por exemplo, os fortes sismos de Novembro de 1937 e de Maio de 1939, e a recente crise sísmica de Março de 2007.
Com apenas 97,4 km² de área emersa, apresenta forma grosseiramente oval, com um comprimento máximo no sentido noroeste-sudeste de 16,8 km.
A geologia da ilha carateriza-se pela presença de um substrato basáltico deformado por fracturas que seguem uma orientação preferencial NW-SW, no qual está intercalada uma densa rede filoniana
com a mesma orientação. Intercalados nos basaltos encontram-se algumas formações de carácter traquibasáltico. Sobre estes materiais encontram-se extensos depósitos fossilíferos, incrustados em depósitos calcários de origem marinha, formados num período de transgressão em que o oceano se encontraria a cerca de 40 metros acima do atual nível médio do mar. A presença destes depósitos, únicos nos Açores, originou na ilha uma indústria de extração de calcário e fabrico de cal, que atingiu o seu auge no princípio do século XX, encontrando-se extinta.
Os depósitos fossilíferos de Santa Maria despertaram grande interesse da comunidade científica, levando a numerosos estudos paleontológicos, desenvolvidos a partir do terceiro quartel do século XIX. Publicaram estudos sobre os fósseis da ilha, entre outros, Georg Hartung (1860), Reiss (1862), Bronn (1860), Mayer (1864), Friedlander (1929) e José Agostinho (1937). A importância científica dos depósitos fossilíferos levou à criação, pelo Decreto Legislativo Regional n.º 5/2005/A, de 13 de Maio, da Reserva Natural Regional do Figueiral e Prainha, incluindo o Monumento Natural da Pedreira do Campo, uma zona de particular interesse geológico.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Ilha Terceira - Lagoa do Negro.
A Lagoa Negra localiza-se na freguesia dos Altares, concelho de Angra do Heroísmo.
Situada na zona de escorrência lávica do vulcão que formou da serra de Santa Bárbara, enquadra-se no habitat de águas oligomesotróficas da região medioeuropeia e perialpina com vegetação aquática, com referência às espécies "Littorela uniflora" e "Issoëtes azorica".
Constitui-se em uma lagoa de pequenas dimensões, cujo nome se perde na noite dos tempo, algures no início do povoamento da ilha.
É envolvida por um dos lados por um maciço de criptomérias; por outro possui como fundo a serra de Santa Bárbara, ladeada pelo Pico Gaspar.
Sob esta lagoa desenvolve-se a gruta do Natal, tubos de escorrências lávicas, testemunho de antigas erupções do vulcão da serra de Santa Barbara.
Existe também uma lenda sobre a lagoa, segundo a qual há alguns séculos existia uma família nobre na Terceira que tinha, como era costume na época, escravos negros. A filha do morgado, habituada a receber as ordens do pai que eram compridas de forma inquestionável por todos, aceitou com naturalidade um casamento imposto por conveniência para a união de terras e aumento do poder.
Era um casamento sem amor mas, por boa educação e honestidade, ela submetia-se ao marido. No entanto, a morgada tinha um amor proibido socialmente inaceitável por um escravo negro, que lhe retribuía o sentimento.
Um dia o escravo negro falou com a sua amada e, juntos, chegaram à conclusão que o seu amor era impossível no mundo em que viviam. Só poderiam viver juntos se fugissem. No entanto, o marido da morgada tinha ordenado a uma das aias da esposa que a seguisse por todo o lado. Tendo ouvido a conversa entre a morgada e o escravo, esta informou o amo, que ordenou aos seus capatazes que prendessem o escravo.
Ao ouvir o ladrar dos cães de caça ao longe, e sabendo que não era dia de caçada, o escravo desconfiou que andavam à sua procura e pôs-se em fuga pelos campos, em direcção ao interior da ilha. Após um dia e uma noite em fuga, caminhando por montes, vales e difíceis veredas, o fugitivo cansado e sentindo os cavalos já próximos, não tinha mais forças para correr ou sequer andar. Sem ter onde se esconder, resolveu parar e por ali ficar, abandonando-se à sua sorte.
Começou a chorar, e as suas lágrimas rapidamente se multiplicaram e fizeram nascer uma linda lagoa à sua frente, aninhada ao lado de uma colina arborizada. Quando se apercebeu da lagoa, os cavalos já estavam quase sobre ele. Não tendo mais para onde fugir, atirou-se da colina para as águas escuras e serenas da bela lagoa, onde se afogou.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Ilha do Faial - descoberta e Povoamento.
Na cartografia do século XIV, a ilha aparece pela primeira vez individualizada no Atlas Catalão (1375-1377) identificada como "Ilha da Ventura". Gonçalo Velho Cabral, em 1432, terá achado as ilhas do Grupo Central. Diogo de Teive passa ao largo da Ilha do Faial na sua primeira viagem de exploração para ocidente dos Açores, em 1451. Em 1460, no testamento do Infante D. Henrique, encontra-se referida como "ilha de São Luís [de França]". O seu atual nome deve-se à abundância das chamadas faia-das-ilhas (Myrica faya) aquando do seu povoamento.
O historiador padre Gaspar Frutuoso afirma que o primeiro povoador da ilha terá sido um eremita vindo do Reino. Este vivia só apenas com algum gado miúdo que na ilha deitaram os primeiros povoadores (em 1432?), e mais tarde, os moradores da ilha Terceira. "Somente no Verão iam pessoas da Terceira a suas fazendas e visitar seus gados e comunicavam com este ermitão". Ele acabaria por desaparecer ao fazer a travessia do canal do Faial para ir até à ilha do Pico, numa pequena embarcação revestida de couro.
O único relato coevo conhecido da primeira expedição à ilha do Faial é de autoria de Valentim Fernandes da Morávia. Ele informa que o confessor da Rainha de Portugal, Frei Pedro, indo à Flandres, como embaixador junto da Duquesa de Borgonha, Infanta D. Isabel de Portugal, relacionou-se com um nobre flamengo chamado Joss van Hurtere, ao qual contou "como se acharam as ilhas em tal rota e que havia nelas muita prata e estanho (porque para ele, as ilhas dos Açores eram as supostas ilhas Cassitérides)". Hurtere convenceu 15 homens de bem, trabalhadores, "dando a mesmo a entender, de como lhes faria ricos" caso o acompanhassem.Por volta de 1465, Hurtere desembarcou pela primeira vez na ilha, com aqueles 15 flamengos, no areal da enseada da Praia do Almoxarife. Permaneceram na ilha durante 1 ano, na Lomba dos Frades, até que se esgotaram os mantimentos que tinham trazido. Revoltados por não encontrarem nada do que lhes fora prometido, os seus companheiros andaram para o matar, e Hurteve valeu-se de esperteza para escapar da ilha, retornando para a Flandres comparecendo novamente perante a Duquesa da Borgonha. (Frei Agostinho de Monte Alverne. Crónicas da Província de São João Evangelista.
Em 1467, Hurtere regressou numa nova expedição, organizada sob o patrocínio da Duquesa da Borgonha. Ela mandou homens e mulheres de todas as condições, e bem assim como padres, e tudo quanto convém ao culto religioso, e além de navios carregados de móveis e de utensílios necessários à cultura das terras e à construção de casas, e lhes deu, durante 2 anos, tudo aquilo de que careciam para subsistir, segundo legenda feita pelo geógrafo alemão Martin Behaim no Globo de Nuremberga. Valentim Fernandes acrescenta um pormenor, por rogo da dita Senhora, os homens que mereciam morte civil mandou que fossem degredados para esta ilha.Não satisfeito com o local original, Hurtere decidiu contornar a Ponta da Espalamaca. Próximo do local de desembarque mandou erguer a Ermida de Santa Cruz (no local onde hoje existe a Igreja de N. Sra. das Angústias). Hurtere regressou a Lisboa e casou-se com D. Beatriz de Macedo, criada da Casa do Duque de Viseu. O Infante D. Fernando, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo, fez-lhe doação da Capitania do Faial, em 21 de Março de 1468. Por volta de 1470, desembarcou Willem van der Haegen, que aportuguesou o seu nome para Guilherme da Silveira, liderando uma segunda vaga de povoadores. O rápido crescimento económico da ilha ficou a dever-se à cultura de trigo e do pastel.
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domingo, 30 de setembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Cultura do pastel.
Pastel é o nome comum da planta Isatis tinctoria L. e do extracto fermentado das suas folhas, usado como corante azul em tinturaria e pintura. O corante era também usado em pinturas corporais e para fins medicinais. Com a introdução do índigo e do anil, caiu em desuso. A sua utilização actual limita-se à tinturaria artística e à de tecidos orgânicos (isto é produzidos sem recurso a produtos sintéticos).
O pastel é uma planta anual ou bienal, raramente perene, da família das crucíferas ("Brassicaceae"), nativa no leste da Europa, mas naturalizada em quase toda a zona temperada e subtropical. É muito semelhante no hábito, ramificação e aspecto das folhas ao nabo silvestre e à couve. Atinge cerca de 100 cm de altura, produzindo entre Maio e Setembro abundantes flores hermafroditas amarelas, agrupadas em pequenos cachos. As flores são polinizadas por insectos e produzem vagens que amadurecem cerca de um mês após a polinização. Pode ser cultivada em qualquer tipo de solo, embora prefira solos ligeiros. Necessita de elevada humidade para germinar e de boa exposição solar para atingir o máximo desenvolvimento, embora tolere algum ensombramento. No seu habitat natural e nas zonas onde se naturalizou aparece em zonas perturbadas de carácter ruderal e em falésias e outros locais bem drenados. As folhas são amargas e fortemente adstringentes.
As folhas e caules são ricos no glicosídeo "indican" que, ao decompor-se por fermentação, produz indigotina, o princípio activo do corante azul índigo. O pastel-dos-tintureiros, depois de seco, é uma substância terrosa, sem cheiro ou sabor, de cor azul-escuro, ganhando um brilho violeta acobreado quando esfregado, contendo, além da indigotina, numerosas outras substâncias corantes e impurezas inertes. A indigotina é insolúvel em água, daí o seu interesse em tinturaria, dissolvendo-se apenas em ácidos fortes.
Era cultivado em canteiro e depois replantado em regos, usando a mesma prática cultural comumente usada para as couves. A planta não podia ser cultivada com sucesso no mesmo terreno em anos seguidos, pelo que era cultivada em rotação com trigo, milho ou hortícolas. As folhas da planta do pastel eram colhidas duas vezes por ano, trituradas num engenho constituído por uma atafona movida por uma vaca ou burro, e transformadas em bolas que eram deixadas fermentar. A fermentação, que produzia um cheiro pútrido intenso, levava ao desdobramento dos pigmentos corantes contidos nas folhas. As bolas fermentadas eram depois deixadas a secar até atingirem um grau reduzido de umidade, sendo depois encaminhadas para as tinturarias.
O pastel, a par da urzela, constituiu um dos principais produtos de exportação dos Açores no seu período inicial de colonização (séculos XV e XVI), originando um activo comércio entre as ilhas e a Flandres. Este comércio, cedo transformado em monopólio da coroa portuguesa, era tão importante que foi criado o cargo de "lealdador" do pastel com o objectivo de garantir a qualidade e o peso das bolas exportadas. Desse tempo ficaram vários traços na toponímia açoriana, sendo comuns as designações de Canada do Engenho e Engenho, referindo os locais onde se situavam as instalações de preparação do pastel. No Faial a memória da cultura do pastel é perpetuada na designação do lugar do Pasteleiro, arredores da cidade da Horta.
O pastel é uma planta anual ou bienal, raramente perene, da família das crucíferas ("Brassicaceae"), nativa no leste da Europa, mas naturalizada em quase toda a zona temperada e subtropical. É muito semelhante no hábito, ramificação e aspecto das folhas ao nabo silvestre e à couve. Atinge cerca de 100 cm de altura, produzindo entre Maio e Setembro abundantes flores hermafroditas amarelas, agrupadas em pequenos cachos. As flores são polinizadas por insectos e produzem vagens que amadurecem cerca de um mês após a polinização. Pode ser cultivada em qualquer tipo de solo, embora prefira solos ligeiros. Necessita de elevada humidade para germinar e de boa exposição solar para atingir o máximo desenvolvimento, embora tolere algum ensombramento. No seu habitat natural e nas zonas onde se naturalizou aparece em zonas perturbadas de carácter ruderal e em falésias e outros locais bem drenados. As folhas são amargas e fortemente adstringentes.
As folhas e caules são ricos no glicosídeo "indican" que, ao decompor-se por fermentação, produz indigotina, o princípio activo do corante azul índigo. O pastel-dos-tintureiros, depois de seco, é uma substância terrosa, sem cheiro ou sabor, de cor azul-escuro, ganhando um brilho violeta acobreado quando esfregado, contendo, além da indigotina, numerosas outras substâncias corantes e impurezas inertes. A indigotina é insolúvel em água, daí o seu interesse em tinturaria, dissolvendo-se apenas em ácidos fortes.
Era cultivado em canteiro e depois replantado em regos, usando a mesma prática cultural comumente usada para as couves. A planta não podia ser cultivada com sucesso no mesmo terreno em anos seguidos, pelo que era cultivada em rotação com trigo, milho ou hortícolas. As folhas da planta do pastel eram colhidas duas vezes por ano, trituradas num engenho constituído por uma atafona movida por uma vaca ou burro, e transformadas em bolas que eram deixadas fermentar. A fermentação, que produzia um cheiro pútrido intenso, levava ao desdobramento dos pigmentos corantes contidos nas folhas. As bolas fermentadas eram depois deixadas a secar até atingirem um grau reduzido de umidade, sendo depois encaminhadas para as tinturarias.
O pastel, a par da urzela, constituiu um dos principais produtos de exportação dos Açores no seu período inicial de colonização (séculos XV e XVI), originando um activo comércio entre as ilhas e a Flandres. Este comércio, cedo transformado em monopólio da coroa portuguesa, era tão importante que foi criado o cargo de "lealdador" do pastel com o objectivo de garantir a qualidade e o peso das bolas exportadas. Desse tempo ficaram vários traços na toponímia açoriana, sendo comuns as designações de Canada do Engenho e Engenho, referindo os locais onde se situavam as instalações de preparação do pastel. No Faial a memória da cultura do pastel é perpetuada na designação do lugar do Pasteleiro, arredores da cidade da Horta.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Ilha das Flores - Fajã Grande.
A Fajã Grande é uma freguesia rural do do concelho das Lajes. Tem 12,55 km² de área e 202 habitantes (2011), o que corresponde a uma densidade populacional de 16,1 hab/km². Apesar das sua pequena população, ainda assim é uma das freguesias mais povoadas do concelho das Lajes das Flores. Situa-se na costa oeste da ilha das Flores, a cerca de 17 km da sede do concelho. A paróquia católica correspondente tem São José como orago.
Localizada numa extensa fajã da costa oeste da ilha, delimitada do lado de terra pela enorme escarpa da Rocha da Fajã, uma falésia que nalgumas zonas excede os 600 m de altura, e do outro por uma linha de costa baixa e muito recortada, a Fajã Grande é composta por três lugares: a Fajã Grande, centro da freguesia e a sua localidade mais populosa; a Ponta da Fajã Grande, uma povoação sita numa estreita fajã encaixada entre o mar e a base da falésia da Rocha da Fajã, a norte da Fajã Grande; e a Cuada, um povoado sito num planalto a sueste, no limite com a freguesia da Fajãzinha, durante muitos anos deserto, hoje um empreendimento de turismo rural classificado como Conjunto de Interesse Municipal.
A Fajã Grande confronta com as freguesias de Ponta Delgada das Flores e Fajãzinha e considera-se o lugar mais ocidental de toda a Europa, já que para oeste apenas lhe fica o desabitado ilhéu do Monchique, descrito pelo padre José António Camões, um nativo da Fajã Grande, nos seguintes termos.
A Fajã Grande é formada por terrenos detrítico, provenientes da falésia da Rocha da Fajã, produzindo um rico solo, embora pedregoso, o que se alia à abundância de água para fazer dos terrenos da freguesia férteis campos. O abrigo fornecido pela falésia e pela irregularidade do terreno permitiu também a instalação de pomares e de hortas, destacando-se a produção de inhames nos terrenos inundados, considerados os melhores dos Açores. Hoje a maior parte dos terrenos encontra-se abandonada, dada a recessão demográfica que a freguesia sofreu.
O porto da Fajã Grande, outrora uma das principais portas de entrada na ilha, encontra-se hoje reduzido a uma zona balnear, sendo apenas ocasionalmente utilizado pelas embarcações locais. Toda a zona que o rodeia, e a enorme praia de calhau rolado que se prolonga até à Ponta, são hoje uma das mais apreciadas estâncias de lazer da ilha, atraindo banhistas e surfistas de toda a ilha. A grande qualidade ambiental e paisagística do local, pese embora algumas casas construídas recentemente que destoam, dão à freguesia um grande potencial como destino turístico. Já surgiram algumas iniciativas na área da restauração e da hotelaria, com destaque para o complexo de turismo rural da Cuada, que fazem antever um rápido crescimento da indústria turística.
A freguesia alberga também alguns do melhores trilhos pedestres dos Açores, com destaque para aqueles que a ligam a Ponta Delgada das Flores.
lugar da Ponta da Fajã Grande, mais conhecido simplesmente por Ponta, com a sua igreja de Nossa Senhora do Carmo, é uma aldeia de grande beleza e equilíbrio paisagístico, a qual, pese embora a incerteza que sobre ela paira em consequência das restrições legais de habitação impostas na sequência dos desabamentos de 1987, continua a manter cerca de 20 habitantes. Com as suas cascatas a escorrer pelas escarpas abaixo, a Ponta da Fajã Grande é um lugar idílico que teima em manter-se com o carácter próprio e autónomo que criou desde que serviu de fronteira entre as freguesias de Nossa Senhora do Remédios das Fajãs e de São Pedro da Ponta Delgada.
Sobre a grande falésia da Rocha da Fajã, acima dos 550 m de altitude, a freguesia prolonga-se por um planalto de superfície irregular, recoberto por grandes turfeiras e florestas de vegetação natural. A região é a mais pluviosa dos Açores, com um total anual que se estima exceda os 4 000 mm, o que explica o grande caudal das ribeiras que se precipitam da falésia. Nesse planalto situam-se três enormes crateras inundadas, formando a Lagoa Funda, com cerca de 108 metros de profundidade, a Lagoa Comprida e a Lagoa Branca. Outra grande cratera forma a Lagoa Seca, uma turfeira apenas ocasionalmente inundada.
domingo, 23 de setembro de 2012
sábado, 22 de setembro de 2012
Personalidades - Vitorino Nemésio
Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, nasceu na Praia da Vitória a 19 de dezembro de 1901 e faleceu em Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978.
Foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.
Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.
Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde.
A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (final de 1931).
A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas.
Foi autor e apresentador do programa televisivo "Se bem me lembro", que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.
Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.
Foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.
Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.
Foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.
Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.
Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde.
A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (final de 1931).
A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas.
Foi autor e apresentador do programa televisivo "Se bem me lembro", que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.
Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.
Foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.
Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Ilha de S.Miguel -Freguesia da Ponta Garça
Ponta Garça é essencialmente uma freguesia rural do concelho de Vila Franca do Campo, com 31,38 km² de área e 3 547 habitantes (2011), o que corresponde a uma densidade populacional de 113 hab/km².
A freguesia localiza-se na zona central da costa sul da ilha de São Miguel, com o seu centro aproximadamente a 110 metros acima do nível médio do mar. É a maior freguesia dos Açores em área e na extensão do seu povoado, que se desenvolve ao longo de uma estreita e sinuosa rua por mais de 6 km entre Nossa Senhora da Vida e as Grotas Fundas.
Distando cerca de 8.70 km da sede município, Vila Franca do Campo, a freguesia de Ponta Garça fica situada numa planície junto à costa da ilha de São Miguel, confrontando com o mar e com as freguesias de Ribeira Quente e Furnas (a leste), Lomba da Maia (a nordeste), Maia (a norte) São Brás( noroeste) e Ribeira das Tainhas (a oeste).
Ponta Garça é um povoado essencialmente linear, com as suas habitações dispostas em banda quase contínua em ambos os lados de uma estreita e sinuosa estrada que percorre a freguesia de leste a oeste, sensivelmente paralela à costa, entre o termo da Ribeira das Tainhas e o extremo leste da povoação, no lugar das Grotas Fundas, situado sobre as falésias sobranceiras à fajã que abriga a Ribeira Quente.
Essa configuração do povoamento dá à freguesia uma linearidade apenas interrompida pelas sinuosas curvas impostas pela travessia de ribeiras e grotas e pelo declive localmente mais acentuado do terreno. Excepto nas proximidades da igreja e nos Dois Moios, as poucas canadas e ruas transversais têm pouca expressão populacional, já que vasta maioria das 1 054 moradias recenseadas (2001) se localizam ao longo da estrada longitude.
A agro-pecuária, com destaque para a bovinicultura de leite, é a actividade económica dominante em Ponta Garça. Na ilha de São Miguel, a freguesia é apenas suplantada pelos Arrifes na quantidade de leite produzido e no número de bovinos vendidos.
construção civil e as actividades a ela ligadas, incluindo o fabrico e a comercialização de materiais de construção, tem vindo a ganhar expressão em Ponta Garça, empregando quase o mesmo número de trabalhadores que a agro-pecuária. O comércio, em especial o retalhista e os bares e cafés, tem alguma expressão na freguesia.
A freguesia localiza-se na zona central da costa sul da ilha de São Miguel, com o seu centro aproximadamente a 110 metros acima do nível médio do mar. É a maior freguesia dos Açores em área e na extensão do seu povoado, que se desenvolve ao longo de uma estreita e sinuosa rua por mais de 6 km entre Nossa Senhora da Vida e as Grotas Fundas.
Distando cerca de 8.70 km da sede município, Vila Franca do Campo, a freguesia de Ponta Garça fica situada numa planície junto à costa da ilha de São Miguel, confrontando com o mar e com as freguesias de Ribeira Quente e Furnas (a leste), Lomba da Maia (a nordeste), Maia (a norte) São Brás( noroeste) e Ribeira das Tainhas (a oeste).
Ponta Garça é um povoado essencialmente linear, com as suas habitações dispostas em banda quase contínua em ambos os lados de uma estreita e sinuosa estrada que percorre a freguesia de leste a oeste, sensivelmente paralela à costa, entre o termo da Ribeira das Tainhas e o extremo leste da povoação, no lugar das Grotas Fundas, situado sobre as falésias sobranceiras à fajã que abriga a Ribeira Quente.
Essa configuração do povoamento dá à freguesia uma linearidade apenas interrompida pelas sinuosas curvas impostas pela travessia de ribeiras e grotas e pelo declive localmente mais acentuado do terreno. Excepto nas proximidades da igreja e nos Dois Moios, as poucas canadas e ruas transversais têm pouca expressão populacional, já que vasta maioria das 1 054 moradias recenseadas (2001) se localizam ao longo da estrada longitude.
A agro-pecuária, com destaque para a bovinicultura de leite, é a actividade económica dominante em Ponta Garça. Na ilha de São Miguel, a freguesia é apenas suplantada pelos Arrifes na quantidade de leite produzido e no número de bovinos vendidos.
construção civil e as actividades a ela ligadas, incluindo o fabrico e a comercialização de materiais de construção, tem vindo a ganhar expressão em Ponta Garça, empregando quase o mesmo número de trabalhadores que a agro-pecuária. O comércio, em especial o retalhista e os bares e cafés, tem alguma expressão na freguesia.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Ilha do Pico - Igreja de Santa Maria Madalena.
Esta Igreja localiza-se na Vila da Madalena, ilha do Pico.
Ignora-se a fundação deste templo situado junto ao porto da vila, fronteiro ao mar, no entanto por volta de 1871, Silveira de Macedo regista que ela era "o primeiro templo da ilha em grandeza e magnificência", e que acabara de ser reparado pela Repartição das Obras Públicas. Por essa época, a igreja conservava a sua primitiva traça: três portas e dois andares de janelas, não tendo frontispício, nem grimpas nas torres.
Posteriormente foi decidido construir-lhe outra frente, mais elegante e com maior imponência. Foi-lhe então conferida a atual feição, com uma só série de janelas, uma única porta com uma espécie de galilé e duas torres com grimpas, apresentando a particularidade de toda a mesma frente ser coberta de azulejos brancos.
Todas essas obras, porém, não afectaram o interior, o qual foi restaurado com o melhor critério pelo respectivo vigário, Padre Tomás Pereira da Silva Medeiros. Todas as cantarias têm sido limpas da caliça, diligenciando-se também o douramento das talhas de várias capelas e dos púlpitos. A capela-mor apresenta riquíssimos azulejos sobre a vida de Santa Maria Madalena.
Em fins do ano de 1953 a capela-mor foi valorizada com belos vitrais alusivos àquela Santa. Mais recentemente um luso-americano, natural da Madalena, ofereceu para a imagem da santa uma rica coroa de ouro.
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