quinta-feira, 26 de julho de 2012
Pratos típicos da ilha do Corvo.
É principalmente no Inverno, que o torresmo, a linguiça, a morcela, o molho de fígado e a borráz fazem parte da alimentação dos corvinos.
O torresmo é feito de carne, temperado em vinha de alhos(moura).É frito e conservado em banha, geralmente em vasilhas de barro.
A linguiça faz-se a partir de pequenos bocados de carne, também em "moura".É temperada com cominhos e malagueta.
A morcela é feita pelo sangue do porco, com pão, arroz, cebola, salsa, canela, pimenta, limão,um pouco de aguardente e sal.
O molho de fígado faz-se com carne aos bocados, toucinho, fígado e é temperado com cominhos, massa de pimentão, vinho, alho, pimenta da jamaica , pimenta preta em grão e sal.
A borráz é feita a partir do toucinho previamente frito.É moído e frito novamente
quarta-feira, 25 de julho de 2012
A cultura do ananás na ilha de S.Miguel.
O ananás (Ananassa Sativus,Lindl) cultivado em estufas de vidro na ilha de São Miguel é originário da América Central e do Sul e foi introduzido nesta ilha, como planta ornamental, em meados do século XIX.A sua cultura visou primeiramente o abastecimento das casas abastadas, tendo as primeiras explorações de caracter comercial surgido em 1864. Com o correr dos anos este excepcional fruto transformou-se num verdadeiro ex-libris da região.Os concelhos de Ponta Delgada, Lagoa, Vila Franca a Ribeira Grande são em ordem decrescente os seus principais centros produtores, sendo a Fajã de Baixo a freguesia com maior número de estufas.
As estufas são de formato rectangular, cobertas de vidro caiado formando duas águas com a inclinação aproximada de 33 ° e aquecidas apenas pelo sol. Na parte superior da cobertura as janelas, ou "alboios", servem para regular a temperatura e a ventilação do interior da estufa. O interior da estufa divide-se em "tabuleiros", ou "canteiros", separados ao meio por um carreiro de pedra, estes por sua vez dividem-se em vãos (o espaço que vai de ferro a ferro de suporte da cobertura).
1 ° período da cultura:
Nos "estufins", estufas mais pequenas, plantam-se as tocas a uma distancia de l0 cm entre cada uma e cobrem-se de terra. Regasse então diariamente nos primeiros quinze dias e depois em dias alternados. Nesta fase é importante não deixar a temperatura abaixo dos 26 ° C fazendo-a subir até aos 38 ° C. Ao fim de um mês os "brolhos" despontam desenvolvendo-se no estufim até seis meses sendo depois transplantados para as estufas.Tanto no estufim como na estufa é preparada uma "cama" para o enchimento dos tabuleiros. As camas fazem-se com a sobreposição de varias camadas de terra velha (já usada noutras estufas, rica em matéria orgânica), mondas (folhas de ananases, fetos, ervas, caruma de pinheiro), rama de incenseiro e farelo.
Nas estufas o plantio dispõe-se de maneira a que cada planta fique a uma distancia de 50 a 60cm umas das outras. Após a plantação rega-se diariamente durante duas semanas, durante o crescimento do fruto as regas diminuem até se extinguirem na fase de maturação. 3 a 4 meses depois de plantada a estufa tem lugar a operação do "fumo". Esta operação, descoberta ocasionalmente, funciona como uma intoxicação o que obriga todas as plantas a florescerem ao mesmo tempo. Ao fim do dia (quatro a oito dias no verso, oito a quinze no inverno) queimam-se em recipientes próprios colocados no interior da estufa, aparas e verduras de modo a produzir um espesso fumo, no dia seguinte abrem-se as portas e os alboios para arejar.O período completo da cultura, que vai desde a plantação das tocas até ao corte do fruto tem a duração de 18 meses.
terça-feira, 24 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Plantas endémicas - Cedro - do - Mato
Juniperus brevifolia (Seu.) Antoine, conhecido pelo nome comum de cedro-do-mato, cedro-das-ilhas ou zimbro, é uma espécie de árvore de médio porte (mesofanerófito) endémica nos Açores. Sendo uma Cupressaceae, produz uma madeira avermelhada, rica em óleos essenciais que lhe dão um odor típico, rija e de grande beleza quando polida. A madeira é em extremo resistente ao ataque por insectos xilófagos e por fungos, podendo sobreviver muitas centenas de anos. Nas Sete Cidades foram encontrados troncos incorruptos enterrados em materiais vulcânicos com pelo menos 2000 anos de idade.
cedro-do-mato é uma espécie protegida pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats da União Europeia, sendo ilegal o seu abate e o tráfico da sua madeira sem um certificado de proveniência atestando que não foi obtida em contravenção das regras daquela Convenção.A madeira do cedro-mato, muito semelhante à do cedro-da-bermuda (Juniperus bermudiana), atinge um elevado valor comercial graças à sua qualidade e raridade. Devido ao abate sem regulação durante séculos, não existem hoje nos Açores exemplares de grande porte, já que nas zonas de melhores solos, particularmente nas mais abrigadas dos ventos, o cedro desapareceu totalmente. Traves colocadas em igrejas e tábuas de grande largura existentes em mobiliário seiscentista atestam da grande dimensão atingida por estas árvores de crescimento lento.
A utilização de madeira de cedro-do-mato em mobiliário e na construção de talhas decorativas em igrejas produziu peças de grande qualidade (a igreja do Colégio de Ponta Delgada tem um dos maiores conjuntos de talhas barrocas do mundo, todo ele construído em cedro-do-mato). A madeira de cedro constituiu um lucrativo comércio no início da colonização das ilhas.
Dada a sua resistência à abrasão e leveza, o cedro era a madeira de preferência para a confecção das galochas, o típico calçado de madeira e tecido dos Açores (provavelmente de origem flamenga), ainda comum na primeira metade do século XX. Pequenas rodelas ou cubos de madeira de cedro eram colocadas entre as roupas guardadas, para afugentar as traças (os seus óleos essenciais são insecticidas) e manter as roupas com um odor agradável mesmo na humidade tipicamente prevalecente nas casas tradicionais açorianas.
A árvore tem como parasita uma planta endémica dos Açores, o espigo-de-cedro, nome vulgar do Arceuthobium azoricum Hawksworth et Wiens, uma Loranthaceae protegida pela Directiva Habitats.
domingo, 22 de julho de 2012
Ilha de S.Jorge - Descoberta e Povoamento.
Desconhece-se a data exacta de quando os primeiros povoadores nela desembarcaram, no prosseguimento da política de povoamento do arquipélago, iniciada cerca de 1430 pelo Infante D. Henrique. Gaspar Frutuoso, sem indicar o ano da descoberta.
A mesma data será seguida pelo padre António Cordeiro, que entretanto refere o ano como 1450 Essa data, contudo, é incorreta, uma vez que pela carta de 2 de julho de 1439 Afonso V de Portugal concede ao seu tio, o infante D. Henrique, autorização para o povoamento das (então) sete ilhas dos Açores, em que São Jorge já se incluía. Por outro lado, João Vaz Corte Real foi capitão do donatário da Capitania de Angra em 1474, e da de São Jorge em 1483. Raciocínio semelhante se aplica à figura de Jácome de Bruges.
Sabe-se, no entanto, que o seu povoamento terá se iniciado por volta de 1460. Estudos recentes indicam que o primeiro núcleo populacional se tenha localizado na enseada das Velas de onde se irradiou para Rosais, Beira, Queimada, Urzelina, Manadas, Toledo, Santo António e Norte Grande. Um segundo núcleo ter-se-há localizado na Calheta, com irradiação para os Biscoitos, Norte Pequeno e Ribeira Seca.Diante do insucesso do povoamento da ilha das Flores, o nobre flamengo (Guilherme da Silveira), por volta de 1480 veio a fixar-se no sítio do Topo fundando uma povoação, e aí vindo a falecer. Os seus restos mortais encontram-se sepultados na capela do Solar dos Tiagos.
É pacífico que a ilha já se encontrava povoada quando João Vaz Corte Real. Capitão-donatário da capitania de Angra (ilha Terceira), obteve a Capitania da Ilha de São Jorge, por carta régia de 4 de Maio de 1483 (Arquivo dos Açores, vol. 3, p. 13).
Como nas demais ilhas atlânticas, os primeiros povoadores, vindos do mar, fixaram-se no litoral, junto aos melhores e mais seguros ancoradouros. O crescimento populacional e desenvolvimento económico foram rápidos
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Ilha do Corvo- Recordações da Matança do Porco.
O dia da Matança do Porco, sempre foi e continua ser um dia que simboliza
fartura, alegria, alegria, partilha, convívio e amizade.Realiza-se normalmente
entre os meses de Outubro e Dezembro.
A preparação começava alguns dias antes com o rachar da lenha e a apanha da queiró, feito pelos homens.
Na véspera, eram as mulheres que trabalhavam mais.Picavam a salsa e a cebola para as morcelas e encarregavam-se da preparação das comidas.Destacam-se a sopa de feijão, a linguiça frita, as batatas doces(cozidas ou assadas), as filhoses e claro, o queijo do Corvo.
Uma curiosidade interessante, era o facto das crianças das famílias ou dos amigos mais próximos, passarem a noite na casa do proprietário, deitados em cima de junco colocado no chão da cozinha.
Chegava assim o grande dia, com a família a levantar-se bastante cedo.As mulheres começavam a preparar o pequeno almoço, onde abundava o pão caseiro, a manteiga e o queijo corvino, as filhoses e o café ou leite.
Os homens entretanto já tinham iniciado o seu trabalho, colocando as mesas, as celhas e fazendo a "moura".
A pouco e pouco iam chegando os familiares e amigos e iniciava-se o trabalho.Começavam por tirar os porcos dos currais e levavam-nos para a eira, onde eram mortos, chamuscados, rapados e partidos.
Entretanto as mulheres continuavam bastante atarefadas a lavar as tripas no calhau, junto ao mar.Os homens agora, salgavam alguma carne para a "barça" e a restante para a "moura".
O duro trabalho estava assim terminando.Agora era tempo de ir almoçar.
Um factor que queria destacar era a constante alegria das crianças, onde a brincadeira continuava, agora com uma "bola de futebol", que tinha sido feita com a bexiga do porco.
Era assim o Dia da Matança.Um dia fundamental para qualquer família corvina, porque o porco constítuia a base da sua alimentação
A preparação começava alguns dias antes com o rachar da lenha e a apanha da queiró, feito pelos homens.
Na véspera, eram as mulheres que trabalhavam mais.Picavam a salsa e a cebola para as morcelas e encarregavam-se da preparação das comidas.Destacam-se a sopa de feijão, a linguiça frita, as batatas doces(cozidas ou assadas), as filhoses e claro, o queijo do Corvo.
Uma curiosidade interessante, era o facto das crianças das famílias ou dos amigos mais próximos, passarem a noite na casa do proprietário, deitados em cima de junco colocado no chão da cozinha.
Chegava assim o grande dia, com a família a levantar-se bastante cedo.As mulheres começavam a preparar o pequeno almoço, onde abundava o pão caseiro, a manteiga e o queijo corvino, as filhoses e o café ou leite.
Os homens entretanto já tinham iniciado o seu trabalho, colocando as mesas, as celhas e fazendo a "moura".
A pouco e pouco iam chegando os familiares e amigos e iniciava-se o trabalho.Começavam por tirar os porcos dos currais e levavam-nos para a eira, onde eram mortos, chamuscados, rapados e partidos.
Entretanto as mulheres continuavam bastante atarefadas a lavar as tripas no calhau, junto ao mar.Os homens agora, salgavam alguma carne para a "barça" e a restante para a "moura".
O duro trabalho estava assim terminando.Agora era tempo de ir almoçar.
Um factor que queria destacar era a constante alegria das crianças, onde a brincadeira continuava, agora com uma "bola de futebol", que tinha sido feita com a bexiga do porco.
Era assim o Dia da Matança.Um dia fundamental para qualquer família corvina, porque o porco constítuia a base da sua alimentação
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Sé Catedral de Angra do Heroísmo - interior
Características:Considerado o templo de maiores dimensões no arquipélago, apresenta planta retangular em estilo renascentista e "chão". O seu interior é marcado por enormes colunas de pedra que sustentam o tecto.
Ostenta na sua fachada duas torres com duas ordens de sineiras cada, as quais podem comportar 32 sinos.
No seu interior, destaca-se a charola da capela-mor e uma magnífica estante de leitura em estilo indo-português, ao centro do coro capitular.
É uma Igreja ampla de 3 naves divididas por pilares sem transepto, mas de cobertura única. A cabeceira é contudo surpreendente por se inscrever num revivalismo gótico, com deambulatório, com 3 capelas radiantes e um abside coberta por uma cúpula suportada por colunas dóricas, sendo o conjunto acanhado e com falta de proporção ao corpo do templo.
O Pórtico.
O acesso a este templo é feito por um pórtico dividido por 3 arcadas e onde se encontram fixadas nas paredes duas placas de bronze. À direita encontra-se uma placa comemorativa da visita de Sua Santidade o Papa João Paulo II, que foi o primeiro e único pontífice que visitou os Açores e orou nesta igreja no dia 2 de Maio de 1991.
A esquerda do pórtico encontra-se a outra placa que tem cariz informativo e se refere À reconstrução deste Catedral depois do Terramoto de 1 de Janeiro de 1980 e da sua bênção pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, ocorrida no dia 3 de Novembro de 1985, sendo na altura Bispo de Angra D. Aurélio Granada Escudeiro.
O acesso ao interior do templo é feito pela porta central, que se encontra protegida por um guarda vento que possui um desenho da autoria do artista Açoriano José Nuno da Câmara Pereira.
Para iniciar a visita, a entrada no templo deve ser feita pela porta da esquerda desse guarda vento, tendo assim acesso à nave do Santíssimo Sacramento.O Baptistério
O baptistério apresenta-se como uma peça fundamental neste templo, é o lugar onde ao longo dos séculos tem sido baptizados os angrenses paroquianos da freguesia da Sé e onde, segundo a tradição também o foi o martirizado no Japão, defensor da fé cristã, o Beato João Baptista Machado.
Neste baptistério, além da pia baptismal pode admirar-se sobre o portal duas telas de boa escola maneirista, uma representando a circuncisão de Cristo e a outra a adoração dos Reis Magos.
O Altar das Almas.
Foi neste altar que em 1640 foi erecta A Irmandade das Almas, pelo então cónego Leonardo de Sotto Mayor (falecido em 1653). Este altar tem uma tela alusiva à salvação das almas com representação da Santíssima Trindade, a Virgem Maria e São Domingos.
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