domingo, 22 de julho de 2012

Ilha de S.Jorge - Descoberta e Povoamento.



Desconhece-se a data exacta de quando os primeiros povoadores nela desembarcaram, no prosseguimento da política de povoamento do arquipélago, iniciada cerca de 1430 pelo Infante D. Henrique. Gaspar Frutuoso, sem indicar o ano da descoberta.
   A mesma data será seguida pelo padre António Cordeiro, que entretanto refere o ano como 1450 Essa data, contudo, é incorreta, uma vez que pela carta de 2 de julho de 1439 Afonso V de Portugal concede ao seu tio, o infante D. Henrique, autorização para o povoamento das (então) sete ilhas dos Açores, em que São Jorge já se incluía. Por outro lado, João Vaz Corte Real foi capitão do donatário da Capitania de Angra em 1474, e da de São Jorge em 1483. Raciocínio semelhante se aplica à figura de Jácome de Bruges.
   Sabe-se, no entanto, que o seu povoamento terá se iniciado por volta de 1460. Estudos recentes indicam que o primeiro núcleo populacional se tenha localizado na enseada das Velas de onde se irradiou para Rosais, Beira, Queimada, Urzelina, Manadas, Toledo, Santo António e Norte Grande. Um segundo núcleo ter-se-há localizado na Calheta, com irradiação para os Biscoitos, Norte Pequeno e Ribeira Seca.
   Diante do insucesso do povoamento da ilha das Flores, o nobre flamengo (Guilherme da Silveira), por volta de 1480 veio a fixar-se no sítio do Topo fundando uma povoação, e aí vindo a falecer. Os seus restos mortais encontram-se sepultados na capela do Solar dos Tiagos.
   É pacífico que a ilha já se encontrava povoada quando João Vaz Corte Real. Capitão-donatário da capitania de Angra (ilha Terceira), obteve a Capitania da Ilha de São Jorge, por carta régia de 4 de Maio de 1483 (Arquivo dos Açores, vol. 3, p. 13).
   Como nas demais ilhas atlânticas, os primeiros povoadores, vindos do mar, fixaram-se no litoral, junto aos melhores e mais seguros ancoradouros. O crescimento populacional e desenvolvimento económico foram rápidos

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ilha do Corvo- Recordações da Matança do Porco.

O dia da Matança do Porco, sempre foi e continua ser um dia que simboliza fartura, alegria, alegria, partilha, convívio e amizade.Realiza-se normalmente entre os meses de Outubro e Dezembro.
A preparação começava alguns dias antes com o rachar da lenha e a apanha da queiró, feito pelos homens.
Na véspera, eram as mulheres que trabalhavam mais.Picavam a salsa e a cebola para as morcelas e encarregavam-se da preparação das comidas.Destacam-se a sopa de feijão, a linguiça frita, as batatas doces(cozidas ou assadas), as filhoses e claro, o queijo do Corvo.
Uma curiosidade interessante, era o facto das crianças das famílias ou dos amigos mais próximos, passarem a noite na casa do proprietário, deitados em cima de junco colocado no chão da cozinha.
Chegava assim o grande dia, com a família a levantar-se bastante cedo.As mulheres começavam a preparar o pequeno almoço, onde abundava o pão caseiro, a manteiga e o queijo corvino, as filhoses e o café ou leite.
Os homens entretanto já tinham iniciado o seu trabalho, colocando as mesas, as celhas e fazendo a "moura".
A pouco e pouco iam chegando os familiares e amigos e iniciava-se o trabalho.Começavam por tirar os porcos dos currais e levavam-nos para a eira, onde eram mortos, chamuscados, rapados e partidos.
Entretanto as mulheres continuavam bastante atarefadas a lavar as tripas no calhau, junto ao mar.Os homens agora, salgavam alguma carne para a "barça" e a restante para a "moura".
O duro trabalho estava assim terminando.Agora era tempo de ir almoçar.
Um factor que queria destacar era a constante alegria das crianças, onde a brincadeira continuava, agora com uma "bola de futebol", que tinha sido feita com a bexiga do porco.
Era assim o Dia da Matança.Um dia fundamental para qualquer família corvina, porque o porco constítuia a base da sua alimentação

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sé Catedral de Angra do Heroísmo - interior



Características:

Considerado o templo de maiores dimensões no arquipélago, apresenta planta retangular em estilo renascentista e "chão". O seu interior é marcado por enormes colunas de pedra que sustentam o tecto.
Ostenta na sua fachada duas torres com duas ordens de sineiras cada, as quais podem comportar 32 sinos.
No seu interior, destaca-se a charola da capela-mor e uma magnífica estante de leitura em estilo indo-português, ao centro do coro capitular.
É uma Igreja ampla de 3 naves divididas por pilares sem transepto, mas de cobertura única. A cabeceira é contudo surpreendente por se inscrever num revivalismo gótico, com deambulatório, com 3 capelas radiantes e um abside coberta por uma cúpula suportada por colunas dóricas, sendo o conjunto acanhado e com falta de proporção ao corpo do templo.

O Pórtico.

O acesso a este templo é feito por um pórtico dividido por 3 arcadas e onde se encontram fixadas nas paredes duas placas de bronze. À direita encontra-se uma placa comemorativa da visita de Sua Santidade o Papa João Paulo II, que foi o primeiro e único pontífice que visitou os Açores e orou nesta igreja no dia 2 de Maio de 1991.
A esquerda do pórtico encontra-se a outra placa que tem cariz informativo e se refere À reconstrução deste Catedral depois do Terramoto de 1 de Janeiro de 1980 e da sua bênção pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, ocorrida no dia 3 de Novembro de 1985, sendo na altura Bispo de Angra D. Aurélio Granada Escudeiro.
O acesso ao interior do templo é feito pela porta central, que se encontra protegida por um guarda vento que possui um desenho da autoria do artista Açoriano José Nuno da Câmara Pereira.
Para iniciar a visita, a entrada no templo deve ser feita pela porta da esquerda desse guarda vento, tendo assim acesso à nave do Santíssimo Sacramento.

O Baptistério

O baptistério apresenta-se como uma peça fundamental neste templo, é o lugar onde ao longo dos séculos tem sido baptizados os angrenses paroquianos da freguesia da Sé e onde, segundo a tradição também o foi o martirizado no Japão, defensor da fé cristã, o Beato João Baptista Machado.
Neste baptistério, além da pia baptismal pode admirar-se sobre o portal duas telas de boa escola maneirista, uma representando a circuncisão de Cristo e a outra a adoração dos Reis Magos.
  
O Altar das Almas.

Foi neste altar que em 1640 foi erecta A Irmandade das Almas, pelo então cónego Leonardo de Sotto Mayor (falecido em 1653). Este altar tem uma tela alusiva à salvação das almas com representação da Santíssima Trindade, a Virgem Maria e São Domingos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sé Catedral de Angra do Heroísmo - História.


A Igreja do Santíssimo Salvador da Sé, também referida apenas como Sé Catedral, localiza-se na freguesia da Sé, no centro histórico da cidade e concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.
   É a sede do Bispado de Angra, que engloba o arquipélago dos Açores.
   Segundo reza a história remonta a uma primitiva igreja paroquial, iniciada por Álvaro Martins Homem em 1461. Sob a invocação de São Salvador, deve ter sido concluída em 1496, data da nomeação do seu primeiro vigário. Sobre esta primitiva igreja pouco ou nada se sabe.
   Com o aumento da população e a criação do Bispado de Angra (1534), a Câmara Municipal formulou um pedido para que se construísse um novo edifício para a Sé, no mesmo local. Assim em 1536, a mando do Bispo, e de comum acordo com a Câmara de Angra, fizeram lembrar ao João III de Portugal a necessidade de cumprir o seu compromisso de instalar a sede da diocese.
   Apesar disso o soberano não deu seguimento a este pedido, tratando antes dos aspectos organizativos. Este fato levou a Câmara de Angra, em 1557, a mandar nova mensagem ao rei a solicitar construção do novo templo, aproveitando para informá-lo, contudo, que os moradores de Angra não estavam em condições financeiras de contribuir para esse fim.
   Finalmente, a 10 de janeiro de 1568, já no reinado do Cardeal D. Henrique é que a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas. Para esse fim foram destinados 3 mil cruzados anuais dos direitos régios sobre o pastel na ilha de São Miguel, enquanto durassem as obras.
   Do reino veio a Angra o arquiteto Luís Gonçalves, que elaborou o projeto de um vasto templo maneirista ou de arquitetura chã portuguesa, que seria depois sucessivamente adaptado por outros profissionais, nomeadamente João de Carvalho.
   O edifício começou a construir-se pela fachada principal, para que a antiga Igreja de São Salvador pudesse continuar a servir o culto. Esta é ladeada por duas torres sineiras e, ente ambas, um templete para o relógio, colocado em 1782.
   Adossadas ao corpo da Igreja foram construídas quatro capelas, com recursos de particulares e das irmandades, e as sacristias. No início do século XVII foi construído um claustro, conhecido pelo sítio, que serviu no século XIX de cemitério e desapareceu na década de 1950 para dar lugar ao arranjo que atualmente existe na frente para a rua da Rosa. No século XVIII, também nas traseiras, adicionou-se-lhe a Sacristia Grande e a Sala do Tribunal Eclesiástico.
   O templo foi reconsagrado em 1808.
   Actualmente Encontra-se classificada como Monumento Regional pela Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, classificação consumida por inclusão no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme a Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e artigo 10.º e alínea a) do artigo 57.º do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2004/A, de 24 de Agosto.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ilha do Corvo - Breves Registos.

  A ilha foi descoberta por Diogo de Teive em 1452, durante uma viagem de regresso da Terra Nova.Contudo, não foi feita muita divulgação da sua descoberta, por esta se ter tornado um excelente ponto de apoio às navegações.

COORDENADAS

O Corvo que tem dez quilómetros de cumprimento e cinco de largura, situa-se entre os 39º40´de latitude Norte e os 31º5´de longitude Oeste.

DOAÇÕES

A ilha foi doada por D.Afonso V ao seu sobrinho, o Duque de Bragança.Na altura dos Filipes foi entregue à família Mascarenhas, que posteriormente a passa à do Duque de Aveiro.Com o enforcamento deste, é confiscada e entregue à coroa.

PLATAFORMAS
O Corvo e as Flores assentam numa plataforma americana que está a afastar-se cinco milímetros por ano da europeia, onde assentam as outras ilhas do arquipélago.

NEBULOSIDADE

As altitudes das arribas da ilha(700 metros no Estreitinho) quebram a velocidade dos ventos fazendo subir o ar húmido - vindo da corrente quente do Golfo -, o que provoca a formação permanente de nuvens.Os ventos predominantes são de NW e W com velocidade média anual de 18,8Km,Chove mais de Outubro a Março e a temperatura média anual é de 17,6 graus.

ESPÉCIES

O Corvo, constitui, pela sua diversidade de "habitats", de aves de arribação e de insectos, uma reserva preciosa.Atualmente tem mais de 3oo espécies de flora.

LUGARES

O Morro da Fonte, o Morro dos Homens, o Caldeirão, a Coroínha, o Serrão Alto, o Braço, a Cancela do Pico, a Fonte Velha, o Porto da Areia, o Porto da Casa, o Boqueirão, o Porto Novo, a Cancela do Pico, os Palheiros, o Fojo e a Furna dos Franceses, são os principais lugares da geografia da ilha.

POPULAÇÃO

Em nove décadas a população do Corvo passou de 808 pessoas em 1900 para 480 em 2008.Presentemente encontra-se estabilizada.

domingo, 15 de julho de 2012

Cultura do chá.



Apesar de não haver um um registo oficial da data de introdução do chá na ilha de São Miguel, acredita-se, que a sua produção e expansão verificou-se a partir de 1750.
   A cultura resultou com êxito e desenvolveu-se rapidamente, talvez única na história dos produtos de consumo humano e que tocou não só o domínio técnico e económico mas também, e principalmente, os domínios artístico, poético, filosófico e mesmo religioso, envolvendo o consumo de chá nestes dois países, mas principalmente no Japão, um cerimonial por vezes complexo mas sempre de grande significado. A sua introdução na Europa só se veio a verificar no início do séc. XVII, em consequência do comércio que então se estabelecia entre a Europa e o Oriente.
   Teriam sido os holandeses a trazer pela primeira vez o chá à Europa, sendo responsáveis pela intensificação do seu comércio mais tarde desenvolvido pelos ingleses. O chá era importado por intermédio da famosa “Tea English East Indian Company”, que detinha o monopólio do comércio de chá com a Ásia e que em 1715 se estabeleceu em Cantão passando a gozar de uma situação privilegiada. Esta manteve-se até 1833, altura em que se viu forçada a procurar novas fontes de abastecimento; virou-se então para as possessões da Inglaterra na Ásia (India e Ceilão) onde introduziu a cultura, primeiro na India e depois em Ceilão.
   Na Inglaterra, o seu consumo intensificou-se rapidamente e a partir de meados do séc. XVIII o chá tornou-se a bebida de eleição de todas as classes sociais. É de sublinhar a popularidade que ainda hoje goza neste país, sendo bem conhecido o lugar que esta bebida ocupa na vida de todo o cidadão britânico. A sua popularidade estendeu-se aos países onde a influência inglesa se fez sentir, primeiro nos EUA depois a Austrália e o Canadá Actualmente o chá é a bebida mais consumida em todo o mundo. Em território português, presentemente, o chá só é cultivado em S. Miguel nos Açores onde a cultura, que se pratica desde finais do século XIX.